
Até 2040, o Japão pretende criar um modelo nacional de inteligência artificial e produzir 10 milhões de robôs destinados a diferentes setores da economia.
Vivaldo José Breternitz (*)
O governo japonês vai investir 1 trilhão de ienes, o equivalente a US$ 6,1 bilhões, no consórcio Noetra, que reunirá 44 empresas dos ramos automotivo, eletrônico, financeiro e logístico. Entre os nomes já confirmados estão SoftBank, Sony, Honda e NEC.
A coordenação do projeto ficará a cargo do National Institute of Advanced Industrial Science and Technology, um dos maiores centros públicos de pesquisa do país, voltado ao desenvolvimento de tecnologias avançadas e à transferência de inovação para a indústria.
O objetivo é criar um modelo de IA capaz de integrar linguagem, imagens, vídeo, áudio e dados captados por sensores e pelos sentidos humanos, permitindo que robôs reconheçam e interajam com o ambiente.
Os investimentos ora previstos devem ser suficientes apenas para os dois primeiros anos; depois, novos aportes dependerão dos resultados obtidos até esse ponto. A expectativa é que a partir de 2030 possa ser iniciada a produção de robôs em grande escala.
A iniciativa também pretende reduzir a dependência tecnológica em relação a Estados Unidos e China.
Além da motivação estratégica, há uma pressão demográfica: segundo estudo do centro de pesquisas Recruit Works Institute, o Japão poderá enfrentar um déficit de mais de 11 milhões de trabalhadores até 2040, que de alguma forma poderão ser substituídos por robôs.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].


