
O bilionário Elon Musk, como sempre de forma grandiloquente, anunciou o Terafab, uma iniciativa envolvendo suas empresas Tesla, SpaceX e xAI e que promete erguer a “maior fábrica de chips da história”.
Vivaldo José Breternitz (*)
O anúncio foi feito em uma transmissão ao vivo na plataforma X, onde Musk descreveu o projeto como o próximo passo rumo ao aproveitamento pleno da energia solar e à criação de uma “civilização galáctica”.
O objetivo do Terafab é produzir um terawatt de poder computacional por ano, atendendo à crescente demanda das empresas de Musk por semicondutores. Durante a apresentação, o executivo agradeceu a parceiros como Samsung, TSMC e Micron, mas destacou que a capacidade atual da indústria representa apenas 2% do que Tesla e SpaceX precisarão no futuro. “Ou construímos o Terafab ou não teremos chips. E como precisamos dos chips, então vamos construir o Terafab”, afirmou.
O projeto, estimado em US$ 20 bilhões, terá início em Austin, Texas, onde está localizada a sede da Tesla. A fábrica produzirá dois tipos de chips: um voltado para aplicações terrestres, como o sistema de condução autônoma (Full Self-Driving) e os robôs Optimus; e outro, mais resistente e potente, destinado ao uso espacial.
Musk já havia sinalizado planos ambiciosos para o espaço: no início de 2025, a SpaceX solicitou autorização à Comissão Federal de Comunicações (FCC) para lançar um milhão de satélites, criando um “data center orbital”.
Apesar da promessa de revolucionar a indústria de semicondutores, o histórico de Musk levanta dúvidas. Projetos como o Hyperloop, o Cybertruck de US$ 40 mil e a condução totalmente autônoma ainda não entregaram o que foi anunciado. O Terafab, portanto, surge como mais uma aposta ousada do empresário, que pode redefinir o futuro da computação ou se tornar mais um exemplo de promessas não cumpridas.
Com o Terafab, Musk reforça sua visão de longo prazo: unir energia, inteligência artificial e exploração espacial em um mesmo ecossistema. Se concretizado, o projeto não apenas suprirá a demanda de suas empresas, mas poderá reposicionar os Estados Unidos como líder absoluto na corrida global por chips avançados.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].



