308 views 3 mins

Drones submarinos: a nova fronteira da guerra naval

em Tecnologia
quarta-feira, 03 de dezembro de 2025

Os drones utilizados na guerra da Ucrânia mudaram para sempre os campos de batalha terrestres.

Vivaldo José Breternitz (*)

Agora, uma transformação semelhante está ocorrendo sob as águas: marinhas de todo o mundo correm para incorporar submarinos autônomos, veículos não tripulados capazes de vigiar rivais e proteger infraestruturas críticas.

A Marinha americana está destinando bilhões a programas nessa área, incluindo modelos lançados a partir de submarinos nucleares. A Marinha britânica planeja uma frota do que vem chamando UUVs (veículos subaquáticos não tripulados) que, pela primeira vez, assumirá papel central no rastreamento de submarinos e na defesa de cabos e oleodutos submarinos. A Austrália já anunciou investimento de US$ 1,7 bilhão no projeto “Ghost Shark”, desenvolvido pela startup americana Anduril, para fazer frente à presença chinesa na região.

Segundo Scott Jamieson, diretor da BAE Systems, os submarinos autônomos representam “uma mudança completa na guerra subaquática”, destacando que esses drones permitem ampliar capacidades “a uma fração do custo dos submarinos tripulados”. A disputa por esse novo mercado coloca gigantes como BAE, Boeing e General Dynamics frente a frente com startups ágeis, como a alemã Helsing e a própria Anduril.

Essa é mais uma batalha da guerra pela supremacia marítima. Desde o lançamento do Nautilus, em 1954, os submarinos nucleares tornaram-se peças centrais das forças armadas de seis países, EUA, Rússia, Reino Unido, França, China e Índia, com a Coreia do Norte possivelmente entrando nesse grupo em prazo não muito longo. O Brasil também pretende lançar em 2034 o “Álvaro Alberto”, seu primeiro submarino nuclear.

O “esconde-esconde” nos oceanos é constante, e a vigilância sobre a marinha russa tornou-se prioridade para a OTAN, especialmente no chamado “GIUK gap”, espaço marítimo entre Groenlândia, Islândia e Reino Unido.

Os drones subaquáticos também ganham relevância diante de ataques recentes a oleodutos e cabos de energia e internet; há também preocupações com a capacidade de atacar essas estruturas que vêm sendo desenvolvida pelos chineses.

Empresas como a Cohort e a Thales desenvolvem sensores e sistemas para integrar drones às frotas existentes. Os novos veículos podem carregar até cinco vezes mais sensores que submarinos convencionais, operando com menor consumo de energia e maior discrição e autonomia, além de não necessitarem de tripulações altamente treinadas. Mas especialistas alertam: embora mais baratos, os drones submarinos exigirão manutenção complexa.

O futuro da guerra naval, ao que tudo indica, será travado por máquinas ocultas nas profundezas.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].