
Os chips de memória DRAM (Dynamic Random Access Memory) são usados em computadores e outros dispositivos eletrônicos para armazenar dados temporariamente enquanto o sistema está em funcionamento.
Vivaldo José Breternitz (*)
Com a enorme procura por esses chips para uso nos grandes data centers voltados à inteligência artificial, eles passaram a escassear no mercado, tornando-se, em consequência, muito caros.
Além disso, cerca de 70% deles são fabricados por apenas três empresas, Micron, Samsung e SK Hynix, o que permitiu a elas elevar os preços e consequentemente incrementar seus resultados, levando a uma enorme valorização no valor de suas ações, que no último semestre subiram respectivamente 234%, 200% e 273% aproximadamente.
Mas o cenário parece que deixará de ser tão brilhante para esse trio, pois as empresas CXMT e YMTC, as duas principais fabricantes chinesas desses chips de memória, se preparam para abrir seu capital e aumentar a produção, desafiando as líderes; o fato de terem sido recentemente removidas da lista de empresas restritas do Pentágono abre caminho para que aumentem sua presença no mercado internacional
Das três atuais líderes, a que menos deve ser prejudicada é a americana Micron, que acaba de inaugurar a maior fábrica de memórias dos EUA e é focada nos setores de defesa, automotivo e espacial; já as outras duas, ambas sul-coreanas, deverão brigar com duas chinesas.
Até recentemente, o mercado acreditava que as memórias DRAM deixariam de ser escassas apenas entre 2030 e 2035, prazo que deve ser reduzido com a chegada das chinesas. Além disso, mais competição geralmente acelera o desenvolvimento e derruba preços, inclusive de produtos de consumo como notebooks, smartphones etc.
No entanto, fatores como dificuldades para obtenção de matérias primas, em função de guerras e outros fatores ligados à geopolítica, podem manter o cenário conturbado.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].
O 5G e o drama das antenas – Jornal Empresas & Negócios



