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Avanço da inteligência artificial faz jovens enfrentarem “jobpocalypse”

em Tecnologia
segunda-feira, 20 de outubro de 2025

O BSI (British Standards Institution) é uma organização de referência na elaboração de padrões técnicos, certificações e boas práticas empresariais.

Vivaldo José Breternitz (*)

Fundado em 1901, foi a primeira instituição nacional de padronização do mundo e teve papel decisivo na criação da ISO (International Organization for Standardization), da qual é membro fundador. O BSI opera no Brasil, com sede em São Paulo, e atua aqui como organismo de certificação independente.

Estudo desenvolvido pelo BSI mostra que jovens que estão ingressando no mercado de trabalho enfrentam o que vem sendo chamado “jobpocalypse”, uma crise de oportunidades provocada pelo avanço da inteligência artificial (IA).

O estudo, que ouviu mais de 850 líderes de negócios no Reino Unido, Estados Unidos, França, Alemanha, Austrália, China e Japão, mostra que 41% dos executivos afirmam estar reduzindo o número de empregados graças à IA. Quase um terço (31%) disse que suas empresas avaliam soluções baseadas em IA antes de considerar a contratação de uma pessoa, e 40% acreditam que esse será o padrão dentro de cinco anos.

A tendência atinge especialmente a geração Z (nascidos entre 1997 e 2012); um quarto dos entrevistados afirmou acreditar que todas ou a maioria das tarefas desempenhadas por funcionários em início de carreira podem ser realizadas por sistemas de IA.

De acordo com Susan Taylor Martin, CEO do BSI, o desafio está em equilibrar a busca por eficiência com o desenvolvimento humano, dizendo que “a inteligência artificial representa uma oportunidade enorme para as empresas, mas que, ao perseguirem produtividade e eficiência, não podem esquecer que são as pessoas que impulsionam o progresso”.

Disse também que “nosso estudo deixa claro que o dilema entre aproveitar o potencial da IA e garantir uma força de trabalho saudável é o grande desafio do nosso tempo. É urgente pensar a longo prazo e investir nas pessoas, não apenas nas ferramentas digitais”.

Apesar das preocupações, 53% dos executivos acreditam que os benefícios da IA superarão os impactos negativos sobre o emprego. Mais da metade dos entrevistados disse se sentir “com sorte” por ter iniciado a carreira antes da popularização da IA.

O entusiasmo com a automação é evidente: três em cada quatro líderes (76%) esperam ver resultados concretos do uso da IA nos próximos 12 meses, especialmente na melhoria da produtividade, eficiência e redução de custos. Cabe ressaltar que outros estudos tem gerado respostas que não dão respaldo a esse entusiasmo

Uma análise complementar do BSI mostra que, nos relatórios anuais das empresas, a palavra “automação” aparece quase sete vezes mais do que termos como “capacitação” ou “requalificação”, sinalizando uma clara prioridade.

Enquanto isso, cresce a preocupação no sentido de que a valorização excessiva das empresas de IA esteja formando uma bolha no mercado financeiro, que, ao estourar, poderá trazer consequências extremamente graves para a economia do mundo.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].