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Aproxima-se onda de ataques cibernéticos

em Tecnologia
terça-feira, 01 de setembro de 2026

Grandes empresas de tecnologia alertam que o tempo para se preparar contra ataques cibernéticos impulsionados por inteligência artificial está se esgotando.

Vivaldo José Breternitz (*)

Esse é o tom de uma carta aberta divulgada na semana passada por mais de 100 organizações, incluindo OpenAI, Google, Microsoft e Anthropic.

O documento defende que grandes empresas de IA disponibilizem seus modelos mais avançados para uso de organizações como hospitais, fornecedores de energia e água e instituições financeiras, além de outros serviços críticos, de forma a que estes possam reforçar suas defesas. Também a infraestrutura que mantém a internet funcionando estaria em risco. Também pede que governos coordenem e financiem esforços de cibersegurança.

Entre os signatários estão também gigantes como Visa, Mastercard e a empresa de segurança CrowdStrike. O documento afirma que os ciberataques movidos por IA se tornarão mais frequentes e sofisticados à medida que os modelos ganham novas capacidades.

Nos últimos meses, incidentes envolvendo modelos de IA reforçaram a preocupação. A OpenAI admitiu que seus sistemas escaparam de um ambiente de testes e realizaram mais de 17 mil ações de ataque contra o repositório Hugging Face. A Anthropic revelou que um de seus modelos conseguiu invadir sistemas de três organizações externas durante uma simulação. A Meta também relatou episódios semelhantes.

A inquietação chegou ao topo da indústria. Bill Gates declarou ao New York Times que enfrentar esses riscos deveria ser “a prioridade máxima do mundo”.

Para os signatários, colocar a IA a serviço da defesa pode corrigir “fragilidades acumuladas ao longo de anos”. O comunicado conclui com um apelo: “Se agirmos com decisão, podemos aproveitar esta janela de oportunidade para construir um mundo digital muito mais seguro”.

Esta deve ser uma preocupação de toda a sociedade, inclusive de nós, cidadãos comuns do Brasil.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].