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Anthropic lança blog produzido por inteligência artificial

em Tecnologia
quinta-feira, 05 de junho de 2025

Claude é uma família de modelos de inteligência artificial desenvolvida pela Anthropic, uma startup especializada em IA fundada por ex-funcionários da OpenAI. Pode-se dizer que Claude é o equivalente da Anthropic ao ChatGPT da OpenAI ou ao Gemini do Google.

Vivaldo José Breternitz (*)

A Anthropic lançou uma nova página em seu site chamada “Claude Explains” (Claude Explica). Em termos práticos, é um blog, que segundo a empresa, é produzido por seus modelos de inteligência artificial Claude.

A página reúne artigos sobre diversos temas técnicos e tem como objetivo demonstrar a capacidade do Claude em gerar textos informativos e de fácil leitura. No entanto, ainda não está claro o quanto do conteúdo publicado é fruto direto do Claude, pois segundo um porta-voz da empresa, cada publicação passa por um rigoroso processo editorial: “Esse conteúdo não é apenas uma saída bruta do Claude — o processo editorial envolve especialistas humanos e múltiplas iterações”, afirmou o porta-voz

Ainda segundo a empresa, “especialistas e equipes editoriais da Anthropic revisam e aprimoram as versões iniciais geradas pelo modelo, adicionando exemplos práticos, conhecimento contextual e insights”.

A Anthropic enxerga a iniciativa como uma prova de conceito sobre como humanos e IA podem trabalhar juntos em projetos educacionais. “Claude Explains é um exemplo inicial de como equipes podem usar a IA para ampliar seu trabalho e oferecer mais valor ao público”, disse o porta-voz.

“Em vez de substituir o conhecimento humano, estamos mostrando como a IA pode potencializar o que especialistas conseguem produzir. Pretendemos abordar temas que vão desde escrita criativa até análise de dados e estratégia de negócios”.
O lançamento da nova página ocorre em meio a uma tendência mais ampla da indústria em direção à produção de conteúdo gerado por IA. Nos últimos meses, a OpenAI anunciou um modelo otimizado para escrita criativa, e o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, revelou planos para desenvolver um sistema de publicidade completamente automatizado por IA.

Veículos de mídia já estão testando esse novo paradigma. A Gannett passou a usar IA para redigir resumos esportivos, a Bloomberg começou a incorporar resumos automáticos no início de seus artigos desde abril, e o Business Insider — que recentemente demitiu 21% de sua equipe — está incentivando seus jornalistas a depender mais de ferramentas de inteligência artificial.

Outros veículos tradicionais também estão se aventurando na área. Segundo relatos, o The New York Times está testando o uso de IA para sugestões de edição e roteiros de entrevistas, enquanto o Washington Post desenvolve um “editor de matérias” que vem sendo chamado Ember.

Mas a adoção da IA no jornalismo não tem sido isenta de controvérsias. O Business Insider precisou se retratar após publicar listas de livros inexistentes, possivelmente geradas por IA, segundo o site Semafor. A Bloomberg teve que corrigir dezenas de resumos incorretos produzidos por algoritmos, e no G/O Media, artigos mal escritos e publicados sem revisão por editores geraram fortes críticas.

Apesar do entusiasmo com a automação, a Anthropic afirma que continua investindo em talentos humanos. O porta-voz ressaltou que a empresa está contratando ativamente em áreas como marketing, editorial, conteúdo e outras funções com foco em redação.

Tomara que seja verdade…

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor e consultor – [email protected].