
Nos últimos dias de agosto, o Exército dos Estados Unidos derrubou três drones suspeitos de operar a serviço de traficantes mexicanos. Segundo a CBS News, os drones foram abatidos por um sistema de armas chamado “Army Multipurpose High Energy Laser System”.
Vivaldo José Breternitz (*)
Segundo o major-general Curtis Taylor, que exerce um comando na fronteira sul dos Estados Unidos, os cartéis mexicanos estão cada vez mais usando drones para facilitar o tráfico de drogas e de pessoas, especialmente vigiando as forças militares e de segurança que operam na fronteira entre os dois países.
Ainda não está claro se os drones foram abatidos em espaço aéreo americano ou mexicano. Um porta-voz do Exército americano afirmou apenas que a operação foi conduzida “em coordenação com todos os parceiros que atuam na fronteira”.
Essa não é a primeira vez que armas a laser são utilizadas para tentar proteger o espaço aéreo dos EUA. Em fevereiro, em uma operação similar, militares americanos empregaram tecnologia laser para derrubar o que acreditavam serem drones de traficantes, operação que causou enormes transtornos ao exigir o fechamento repentino de um grande aeroporto comercial; aos transtornos, somou-se o vexame, quando descobriu-se que os “drones” eram apenas balões de festa.
Algumas semanas depois, mais uma trapalhada: outro ataque resultou na destruição de um drone, mas que pertencia às autoridades de fronteira dos EUA, e não a cartéis mexicanos. Desta vez, o Exército não divulgou detalhes adicionais, alegando razões de segurança operacional.
O uso de lasers para defesa aérea não é exclusividade dos EUA. O Reino Unido anunciou que instalará seu sistema DragonFire em navios de sua Marinha até 2027. Já a China desenvolveu uma versão portátil, do tamanho de uma mochila, capaz de atingir alvos a até 500 metros de distância.
Esses sistemas são muito mais baratos de operar do que os tradicionais, pois cada disparo custa cerca de US$ 13, contra milhares ou até milhões de dólares de um míssil convencional. Essa diferença de custos torna a tecnologia baseada em lasers mais viável para enfrentar drones, cuja eficácia em campos de batalha tem ficado clara na guerra da Ucrânia.
Curiosamente, civis dispostos a gastar cerca de mil dólares podem adquirir versões simplificadas de sistemas de defesa a laser, não para enfrentar cartéis, mas para proteger suas casas contra insetos voadores.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].



