Água quente poderá carregar celulares

A CALT – China Academy of Launch Vehicle Technology é uma importante fabricante de foguetes lançadores espaciais civis e militares da China e um dos maiores fornecedores de serviços de lançamento do mundo.

Vivaldo José Breternitz (*)

Pesquisadores da empresa desenvolveram uma nova tecnologia, em uma área totalmente diferente: uma garrafa térmica com um chip termoelétrico na tampa, que pode transformar o calor da água contida na garrafa em eletricidade, suficiente para recarregar um telefone celular.

Nos últimos anos, à medida que o poder dos processadores de telefones celulares e o tamanho de suas telas aumentaram, também aumentou a necessidade de energia. Portanto, de acordo com o pesquisador Ma Wei, as pessoas muitas vezes se deparam com o problema de como recarregar seus telefones celulares, por exemplo, ao viajar de trem ou acampar em áreas remotas.

“Nossa solução para esse problema é um dispositivo termoelétrico baseado em uma garrafa d’água, uma fonte de calor para gerar eletricidade”, explica Ma, acrescentando que a invenção não requer nenhuma fonte de eletricidade. O dispositivo termoelétrico está embutido na tampa térmica, que possui uma saída USB para carregamento.

“Descobrimos que a garrafa pode fornecer eletricidade durante até 30 minutos depois de despejarmos 300 a 500 mililitros de água fervente nela”, disse Sheng Jiang, membro da equipe de pesquisa. Também podem ser conectados à garrafa laptops, câmeras e outros dispositivos eletrônicos de baixa potência. Os pesquisadores agora buscam parcerias com empresas para comercializar a ideia. O preço do produto provavelmente vai variar de 25 a 30 dólares.

O chip termoelétrico poderia aumentar o peso da garrafa em 200 gramas em comparação com uma garrafa comum, mas Sheng disse que a ideia é usar para sua construção um material leve criado originalmente para espaçonaves.

Destacando a segurança da invenção, Sheng disse que ela produz baixa tensão e não apresenta risco de curto-circuito.

É mais um caso em que tecnologia e materiais sofisticados, criados para a exploração do espaço, tornam viáveis produtos usados na vida cotidiana.

(*) É Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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