363 views 4 mins

A Tesla está em perigo?

em Tecnologia
quarta-feira, 01 de abril de 2026

Na tentativa de se reinventar, deixando de ser uma fabricante de veículos elétricos para apostar em inteligência artificial e robôs humanoides, a Tesla viu seu negócio principal ser duramente atingido.

Vivaldo José Breternitz (*)

A empresa registrou, no início deste ano, o pior nível de vendas nos Estados Unidos em quatro anos, sem sinais de recuperação à vista. O impacto já se reflete no preço das ações, que acumulam queda de quase 20% neste ano.

O mercado de capitais também não demonstra confiança; analistas alertam que a situação pode se agravar. Mike Tyndall, do HSBC, reiterou recentemente a recomendação de “reduzir” a posição em ações da Tesla, mantida desde o início do ano. Segundo ele, os papéis devem despencar dos atuais US$ 365 para cerca de US$ 131 nos próximos 12 meses, uma queda superior a 60%, sem considerar o pico de aproximadamente US$ 480 registrado no ano passado.

Tyndall argumenta que a Tesla enfrentará forte pressão no setor de veículos elétricos, em meio ao avanço da concorrência e as dificuldades que vem encontrando nos mercados da Europa e China. Para o analista, a empresa superestimou suas oportunidades de crescimento global.

Além da queda nas vendas de elétricos, a Tesla enfrenta dificuldades para acelerar a produção do Cybercab, veículo de dois lugares que integra a estratégia de Elon Musk para lançar um serviço de robotáxis. A companhia pretende iniciar a produção em massa já no próximo mês, segundo fontes ouvidas pelo Wall Street Journal.

Outro desafio é a aprovação internacional do polêmico sistema direção autônoma batizado de “Full Self-Driving”. O sistema está em análise na Holanda e, caso seja autorizado, pode abrir caminho para a liberação em toda a União Europeia ainda neste verão. Mas não há certeza: se os reguladores rejeitarem o pedido, o revés poderá comprometer ainda mais as ambições da Tesla em direção à condução autônoma fora dos EUA.

A expectativa agora se volta para os números de entregas do primeiro trimestre, que serão divulgados no início de abril. A pressão é enorme para que a empresa consiga ao menos uma leve recuperação nas vendas de elétricos em relação ao ano anterior.

Com a concorrência internacional corroendo sua antiga liderança no mercado de elétricos, a Tesla aposta todas as fichas em robôs humanoides e no serviço de robotáxis. Mas o tempo corre contra a companhia: sem novos modelos desde o fracasso do Cybertruck em 2023, é difícil acreditar que sua linha de veículos atual seja suficiente para evitar um colapso no preço das ações.

Resta ver como a situação da Tesla impactará os outros negócios de Elon Musk, como o Starlink e a SpaceX.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].