
A discreta He Tingbo, executiva da Huawei conhecida a “rainha dos chips”, tornou-se o centro das atenções ao apresentar em Xangai um novo conceito para o futuro da indústria de semicondutores.
Vivaldo José Breternitz (*)
Durante o IEEE International Symposium on Circuits and Systems recentemente realizado naquela cidade chinesa, a executiva enunciou o que vem sendo chamado “Tau Scaling Law”, conceito que busca substituir a tradicional Lei de Moore e que pode ser traduzida como “Lei do Escalonamento Tau”.
A Lei de Moore, enunciada em 1965 por Gordon Moore, cofundador da Intel, dizia que o número de transistores em um chip dobraria a cada dois anos, impulsionando avanços em velocidade, custo e eficiência dos computadores. Hoje, esse ritmo está cada vez mais difícil de ser mantido devido aos limites físicos da miniaturização.
Já a aplicação da Tau Scaling Law, ao invés de focar na miniaturização dos transistores, foca em reduzir o tempo que um sinal leva para viajar dentro de um sistema, aumentando a velocidade e eficiência dos chips. A letra grega Tau é usada para representar a constante de tempo do atraso de propagação do sinal dentro de um circuito.
Segundo a Huawei, a equipe de He já vem aplicando esse novo conceito em diversos novos chips produzidos pela empresa.
He, uma engenheira, que ingressou na Huawei em 1996 e ajudou a criar a unidade HiSilicon, responsável pelo desenvolvimento de chips, tornou-se símbolo da resistência da empresa às sanções dos Estados Unidos, que desde 2019 restringem o acesso da companhia a tecnologias críticas.
Ela ocupa hoje a presidência da divisão de semicondutores e integra o conselho da Huawei, do qual é vice-presidente Meng Wanzhou, diretora financeira e filha do fundador da empresa, Ren Zhengfei e que ficou mundialmente conhecida após ser detida no Canadá em 2018 a pedido dos Estados Unidos, acusada de fraude bancária ligada a negociações da Huawei com o Irã; o caso foi encerrado em 2022 após acordo judicial.
A trajetória dessas mulheres reflete a ambição chinesa de construir uma indústria de alta tecnologia independente e capaz de enfrentar pressões externas.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].
Aço verde – uma ótima notícia para o meio ambiente – Jornal Empresas & Negócios



