
O Mobile World Congress (MWC) é o maior e mais importante evento global de conectividade e tecnologia móvel, realizado anualmente em Barcelona.
Vivaldo José Breternitz (*)
A edição de 2026, encerrada em 5 de março, reuniu mais de 105 mil participantes de 207 países, consolidando-se como palco central para lançamentos e debates sobre temas como 6G, inteligência artificial e inovação digital.
A tecnologia 6G dominou as discussões no MWC. A União Europeia anunciou um pacote de 116 milhões de euros para financiar 20 projetos voltados ao novo padrão de rede, sob coordenação da Smart Networks and Services Joint Undertaking (SNS JU), uma parceria público-privada europeia criada em 2021 para fortalecer a liderança da Europa nas tecnologias 5G e 6G.
O investimento integra os 630 milhões de euros do programa Horizon Europe e contempla áreas como saúde, mobilidade, espaço e manufatura. Segundo o site oficial da iniciativa, 80% dos projetos incorporam inteligência artificial e machine learning, com o objetivo de criar redes “autônomas”.
Durante o MWC, empresas das áreas de redes anteciparam usos práticos do 6G. John Smee, vice-presidente de engenharia da Qualcomm, declarou ao The Verge que a empresa terá forte presença nas Olimpíadas de Los Angeles em 2028, sobretudo em questões de segurança. Ele destacou que estações rádio base poderão detectar objetos por meio de sinais de radiofrequência, inclusive drones, alvos difíceis para radares convencionais.
Durante o evento, a Ericsson anunciou colaboração com a Intel para desenvolver infraestruturas mais ágeis e energeticamente eficientes. Huawei e Nokia apresentaram novos equipamentos habilitados para 6G; a Nvidia revelou parceria com Nokia Oyj, SoftBank Group e T-Mobile para construir redes 6G baseadas em IA.
Um estudo da Boston Consulting Group, divulgado durante o MWC, ressaltou que 6G será essencial para a consolidação de aplicações de inteligência artificial em larga escala, pois as atuais infraestruturas de telecomunicações podem não conseguir sustentar uma IA cada vez mais presente em smartphones, veículos, fábricas e cidades.
É mais um salto tecnológico que se aproxima.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].



