5G pode trazer riscos às operações aéreas

A Banda C é uma faixa de frequência utilizada na comunicação entre satélites e antenas e que será destinada à 5G.

Vivaldo José Breternitz (*)

No Brasil deve causar interferências no sinal de TV aberta captado por antenas parabólicas domésticas; as operadoras de telecomunicações tomarão providências para superar esse problema.

Mas nos Estados Unidos mais preocupações estão sendo levantadas acerca do assunto: recentemente, a Boeing e a Airbus juntaram-se a outras entidades que tem manifestado preocupações quanto às interferências que o uso da Banda C pode gerar nos altímetros dos aviões, o que em tese pode causar acidentes aéreos.

Naquele país, órgãos do governo tem posições opostas: enquanto a Federal Communications Commission (FCC) aprova o uso da Banda C pelas operadoras de telecomunicações, a Federal Aviation Administration (FAA) se opõe, preocupada com a segurança das operações aéreas. Outros interessados afirmam que vários países ao redor do mundo já têm serviços 5G usando a Banda C, sem que tivessem ocorrido problemas.
Duas grandes operadoras americanas, a AT&T e a Verizon adiaram a implementação de 5G em função dos possíveis problemas, a princípio até janeiro, e agora a Airbus e a Boeing procuraram o presidente Biden pedindo que esse adiamento seja mantido até que o assunto totalmente esclarecido.

O fato é que há muitos bilhões de dólares em jogo e a situação parece caminhar para um impasse, incluindo mais interessados, como a Air Line Pilots Association, que afirma ser esse um problema sério para passageiros, tripulantes, companhias aéreas e também para a economia americana.

Resta agora aguardar os próximos capítulos dessa novela, esperando que interesses econômicos não se sobreponham a vidas.

(*) Vivaldo José Breternitz, Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é consultor de empresas.

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