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Segurança no varejo: de custo a investimento estratégico, uma mudança de mentalidade

em Destaques
segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Thiago Artacho (*)

Até algum tempo atrás, a segurança era tratada no varejo como uma despesa obrigatória, acionada para evitar perdas, cumprir exigências legais ou responder a incidentes. Em outras palavras, um centro de custo. Mas essa história está mudando. Ela ocupa hoje uma posição estratégica, contribuindo diretamente para a eficiência operacional, a proteção dos ativos, e a experiência do cliente.

A mudança de mentalidade começa quando entendemos que investir em tecnologia para segurança não significa apenas instalar câmeras ou controlar acessos. Significa construir inteligência para prevenir riscos, gerar informações relevantes e apoiar a tomada de decisões em tempo real. Algo essencial para um setor que registrou R$ 42,1 bilhões em perdas em 2025, crescimento de 15,3% em relação ao ano anterior, como aponta a mais recente pesquisa da Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (Abrappe).

As soluções baseadas em inteligência artificial, análise de vídeo, monitoramento remoto e integração de sistemas permitem identificar comportamentos suspeitos, reduzir perdas operacionais, prevenir fraudes e otimizar processos. Mais do que reagir aos problemas, elas possibilitam antecipá-los.

Essa capacidade preventiva representa um dos maiores ganhos para o varejo. Cada incidente evitado significa menos prejuízo financeiro, menor impacto operacional e maior tranquilidade para colaboradores e consumidores.

Ao mesmo tempo, os dados gerados pelos sistemas de segurança oferecem insights valiosos sobre fluxo de pessoas, ocupação de espaços, horários de maior movimento e padrões de comportamento, informações que também auxiliam áreas como operações, marketing e gestão comercial.

Outro aspecto importante dessa evolução está na integração entre segurança física e a digital. Com o crescimento das operações omnichannel, dos pagamentos eletrônicos e da conectividade entre equipamentos, proteger uma empresa deixou de ser uma responsabilidade isolada. Hoje, trata-se de uma estratégia que envolve infraestrutura, tecnologia, governança e cultura organizacional.

Não por acaso, as empresas mais inovadoras passaram a incluir a segurança nas discussões estratégicas da alta liderança. Afinal, um ambiente protegido gera confiança, fortalece a reputação da marca e reduz riscos que podem comprometer resultados financeiros e a continuidade do negócio.

Também é importante destacar que o retorno sobre esse investimento vai muito além da redução de perdas. A automação de processos diminui custos operacionais, melhora a produtividade das equipes e permite que os profissionais atuem de forma mais estratégica, deixando tarefas repetitivas para sistemas inteligentes.

Vivemos um momento em que os desafios são cada vez mais complexos. Fraudes, furtos, ataques cibernéticos e vulnerabilidades operacionais exigem respostas rápidas e inteligentes. Nesse contexto, continuar enxergando a segurança apenas como uma obrigação significa abrir mão de oportunidades de crescimento e eficiência.

A verdadeira transformação acontece quando a segurança deixa de ser vista como um gasto inevitável e passa a ser reconhecida como um investimento estratégico. Um investimento que protege pessoas, preserva patrimônios, gera inteligência, impulsiona resultados e fortalece a sustentabilidade do negócio no longo prazo.

(*) CEO da Green Tech Solutions

Segurança física unificada ajuda o varejo a prosperar em ambiente dinâmico | Jornal Empresas & Negócios