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Selic mantém indústria em alerta e exige cautela para o segundo semestre

em Economia
segunda-feira, 17 de agosto de 2026

O crédito ainda restritivo deve exigir planejamento e eficiência

A redução da taxa Selic para 14% ao ano, anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, representa um primeiro sinal de flexibilização da política monetária, mas ainda está longe de produzir um alívio significativo sobre os custos financeiros enfrentados pela indústria, de uma forma geral. Para a Maximu’s Embalagens Especiais, indústria especializada em soluções plásticas de proteção para componentes e produtos industriais, o cenário para o segundo semestre deve continuar marcado por cautela, com empresas priorizando eficiência operacional, controle de custos e decisões de investimento mais seletivas.

O corte de 0,25 ponto percentual ocorreu após um longo período de juros em patamar elevado.A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que, apesar de positiva, a redução ainda é insuficiente para aliviar as dificuldades enfrentadas pelo setor produtivo. Segundo levantamento da entidade, 53% das empresas industriais esperam aumento da necessidade de financiamento para contas a pagar nos próximos três meses, enquanto 58% projetam redução das margens líquidas. Além disso, cerca de 39% das empresas que demandam mais capital devem ampliar o endividamento bancário.

O ambiente de juros elevados se soma a sinais recentes de perda de ritmo da atividade. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e divulgados neste mesmo espaço, recentemente, apontam que a produção industrial nacional recuou 1,8% em junho, na comparação com maio, com resultados negativos em 12 dos 15 locais pesquisados. Com isto, o setor industrial entra na segunda metade do ano diante de um cenário que ainda exige cautela.

Para a Maximu’s, que atua em um setor sensível e que muitas vezes serve como termômetro – o de embalagens –, o comportamento da indústria no segundo semestre deve depender não apenas da trajetória dos juros, mas também da capacidade das empresas de preservar margens e manter investimentos em um ambiente de demanda mais moderada. “A redução da Selic traz uma perspectiva um pouco mais favorável para os próximos meses, mas ainda estamos falando de uma taxa bastante elevada. O impacto sobre o crédito e sobre as decisões de investimento não acontece de forma imediata, por isso acreditamos que o segundo semestre ainda será de muita disciplina financeira por parte das empresas”, avalia Márcio Grazino, diretor da empresa.

A indústria de embalagens tende a acompanhar de perto o desempenho de segmentos que permanecem mais resilientes. Setores como automotivo, alimentos, farmacêutico e bens de consumo continuam demandando soluções de acondicionamento e proteção para suas operações, ainda que as empresas estejam mais criteriosas em relação a estoques, custos e novos projetos.

“Para os fornecedores da cadeia industrial, o momento exige proximidade com os clientes e capacidade de adaptar soluções às necessidades de cada operação. É necessário entender onde estão as demandas mais consistentes e oferecer eficiência e soluções que contribuam para a operação dos clientes”, completa o executivo.