E o Mc Picanha, adivinhe… não tinha picanha!  (Do fast food ao Slow Food)

Alessandro Saade


… e o Mc Picanha, adivinhe, não tinha picanha.

FATO

Não sei o que mais me espanta: uma empresa ultra processar alimentos há tanto tempo que acredita ser normal o seu produto não ter em seus ingredientes a carne que deu nome ao sanduiche; a agência embarcar junto numa campanha publicitária milionária e agressiva ou; os consumidores nutrirem (desculpem o trocadilho) uma expectativa de receber algo natural das grandes redes de lanchonete. Deu tanta confusão que a rede tirou o sanduiche do cardápio.

Fast food é antônimo de natural. Sem nenhum juízo de valor – pelo menos por enquanto. É o modelo do negócio. Assim como todas as grandes indústrias que produzem e processam alimentos.

Quem, aparentemente, pode ter algumas soluções menos processadas é rede Giraffas, que oferece pratos prontos em seus cardápios e agora lança duas marcas, aproveitando o bom momento do segmento, alavancado pelas entregas durante a pandemia. Uma das marcas, a Saffari, focada em delivery, usa o inteligente modelo de dark kitchen.

Para ilustrar, compartilho a matéria onde um casal, nos Estados Unidos, encontrou embalagens de lanches do Mc Donald’s, durante uma reforma em sua casa. Dentro das embalagens – que fora usadas até 1961, ou seja têm mais de 60 anos! – encontraram batatas fritas com aparência bem próxima das originais, encontradas nas lojas da rede. Isso mesmo, uma batata que não se desintegra ou decompõe por 60 anos!

Mas nem tudo está perdido. Como contraponto, trago a provocação do movimento Slow Food. Já ouviu falar?

CONTRAPONTO

Nasceu em 1986, em Roma, por iniciativa do chef italiano Carlo Petrini e um grupo de ativistas, buscando se posicionar como contraposição filosófica, ideológica e política ao movimento de aceleração da vida e, principalmente, da alimentação. Segundo ele, e concordo plenamente, “É inútil forçar os ritmos da vida. A arte de viver consiste em aprender a dar o devido tempo às coisas.”

Em 1998 foi criado oficialmente The International Slow Food Moviment, integrando diversos chefs do mundo todo e publicando seu manifesto. Vale a pena conhecer. No Brasil também atuam e com algumas iniciativas de fomento à economia circular.

O ponto aqui é conhecimento, valores, premissas e escolhas. Não simpatizo com nenhum dos extremos. Acredito que tudo em excesso seja prejudicial, da comida ao ativismo político, do trabalho ao ócio, do natural ao processado.

Mas aqui é sobre você. Sobre ter em suas mãos as informações necessárias para criar a sua opinião e tomar as suas decisões, com suas respectivas consequências. Simples assim: escolhas.

AINDA SOBRE ALIMENTAÇÃO

Não sei se percebem a quantidade de oportunidades existentes para os empreendedores PME. Desde benchmarks para o seu negócio de alimentação, até a participação na cadeia, do fornecimento dos vegetais, da logística, das embalagens, à gestão das redes sociais e campanhas de marketing digital. Isso sem falar em poder replicar o modelo em cidades de menor porte, onde não há volume suficiente para as grandes redes, mas é suficientemente grande para você e seu negócio.

DARK WHAT?

Intencionalmente não expliquei o modelo de Dark Kitchen / Ghost Kitchen para aproveitar a oportunidade de fazer isso em áudio e de forma divertida. Conversei com Sandro Badaró e Gabriela Mayer sobre o assunto. Confira no podcast este episódio da minha coluna na Band News FM.

EM TEMPO

Ele vai voltar. (o tal sanduíche)

Alessandro Saade – Fundador dos Empreendedores Compulsivos, é também executivo, autor, professor, palestrante e mentor.  Possui mais de 30 anos de experiência atuando com grandes empresas e startups brasileiras, tornando-se referência no universo do empreendedorismo no Brasil. Formado em Administração pela UVV-ES, com MBA em Marketing pela ESPM e mestrado em Comunicação e Mercados pela Cásper Líbero, especializou-se em Empreendedorismo pela Babson College e em Inovação por Berkeley. Atualmente é Superintendente Executivo do ESPRO, instituição sem fins lucrativos que há 40 anos oferece aos jovens brasileiros a formação para inserção no Mundo do Trabalho.

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