Disciplina: liberdade ou prisão

Claudio Zanutim (*)

O que a palavra disciplina representa para você?

Condutas rígidas, padrões comportamentais imutáveis e, talvez, medidas punitivas. Entretanto, no Dicionário Aurélio, entre outras definições, disciplina quer dizer “ordem que convém ao bom funcionamento de uma organização”. O conceito de que a disciplina significa estar aprisionada a regras e padrões vem desde nossa infância, quando os pais ao educarem seus filhos, algumas vezes de forma punitiva, estavam “disciplinando-os”.

Mas, no mundo corporativo, ser disciplinado é uma questão de sobrevivência.

Ser disciplinado é ser senhor do seu destino, é ser seu próprio mestre, é estar no controle dos seus atos. Filósofos de todas as épocas já identificaram a disciplina como a base de todas as virtudes humanas.

Longe de ser uma prisão, a disciplina é um conceito libertador, que o coloca sob total domínio da situação.

Somente pessoas disciplinadas conseguem liderar equipes, atingir metas, mudar culturas e revolucionar antigos conceitos.

Analise a conduta de grandes líderes como Gandhi, Napoleão, Joana D’Arc e tantos outros que levaram nações a seguirem seus ideais.

O ponto em comum entre eles é a disciplina. Napoleão Bonaparte foi o responsável pelo aperfeiçoamento do organismo militar da Revolução Francesa, dando-lhe mais coesão, uma formidável estrutura militar e uma confiança inabalável na vitória.

A escola militar de Saint-Cyr, criada por Napoleão, passou a formar oficiais melhor qualificados que, mais tarde, ingressariam nos postos de generais. Agora, imagine se tudo isso seria possível se Napoleão não tivesse disciplina e não a exigisse de seus homens.

Considerado um dos mais versáteis líderes americanos de todos os tempos, Benjamin Franklin (1706-1790) é exemplo de como a disciplina, dirigida com inteligência pode transformar a vida.

Nascido em uma família pobre, Franklin destacou-se em pelo menos quatro diferentes áreas: nos negócios, na política, na ciência e na literatura.

O inventor do pára-raios, das lentes bifocais, entre outras criações, conta em sua famosa biografia que tinha como meta atingir a perfeição moral.

Seu objetivo, escreveu ele, era combater os erros que a inclinação natural, os costumes e o convívio com as pessoas levam o indivíduo a cometer. Franklin acreditava que o autocontrole era um requisito essencial para mudar a vida e alcançar a felicidade.

Resolveu, então, elaborar uma lista com 13 virtudes.

Classificou-as em grau de importância e começou a executar um plano para transformá-las em hábito. A cada semana ele dava prioridade a uma dessas virtudes.

No fim do dia, fazia um balanço para avaliar a aplicação das qualidades que havia se proposto a desenvolver.

Disciplina é uma Postura

Para o lama Kalden, o primeiro ocidental a ser ordenado no Tibete, responsável pelo Centro Budista Djampel Pawo, a disciplina é um método que se desenvolve para alguns fins, utilizando as condições e seus meios.

“Todo mundo tem disciplina. Se você quer ir ao cinema, compra o jornal para ver o horário, pega o carro, vai até o endereço, estaciona. Isto é disciplina: uma série de passos que leva ao seu objetivo. E isto se desenvolve com naturalidade, para pacificar a mente, que se distrai como uma criança em uma loja de doces. É preciso ter claro o que se quer e como conseguir”, ensina ele.

“Somente pessoas disciplinadas conseguem liderar equipes, atingir metas, mudar culturas e revolucionar antigos conceitos.”

Porém, a disciplina não se resume apenas à execução de tarefas.

É uma postura, uma forma de estar no mundo. O psiquiatra e consultor Tom Chung afirma que a disciplina tem a ver com caráter, cujos valores incluem integridade, responsabilidade, visão, capacidade de definir e realizar objetivos. É uma força moral que leva o indivíduo a fazer o que tem de ser feito, independentemente da própria vontade e da emoção.

Você tem uma visão sobre o que pretende realizar, define o que precisa fazer para conseguir seu objetivo, assume o compromisso com sua causa e simplesmente faz. Isso é agir com disciplina.

Uma Questão de Hábito

Num primeiro momento, a disciplina exige um certo esforço e condicionamento. Tome como exemplo uma pessoa sedentária.

De repente, seu médico alerta que ela terá que caminhar 30 minutos diários se pretende viver mais e de forma saudável. Imediatamente ela terá que modificar seus hábitos, o que de início será um transtorno.

Entretanto, em pouco tempo ela estará tão habituada, que isso fará parte de seu cotidiano.

Mas para isso, foi necessário que a pessoa descobrisse a importância da disciplina em sua vida. Ninguém nasce disciplinado, assim como não existe nenhum manual prático para se tornar uma pessoa disciplinada.

Para os jovens, um grande prazer é quebrar as regras, infringir as normas e desafiar as condutas disciplinadoras. Mas esta é uma visão romântica da juventude, que só passa a modificar seu conceito quando chegam as conseqüências, como repetir de ano ou ser “convidado a retirar-se” do colégio que tanto gosta.

Isto porque a disciplina é assim mesmo: ninguém a adquire ao acaso.

Vale ressaltar ainda que ser disciplinado não quer dizer estar calado, abster-se ou fazer apenas o que se julga possível, praticando a arte de evitar responsabilidades, mas antes atuar no sentido das ordens recebidas e, para isso, descobrir no seu espírito, pelo interesse e pela reflexão, possibilidade de as realizar e, no seu caráter, encontrar a energia capaz de suportar os riscos que ao comporta.

Forte Abraço!

(*) É Membro dos Empreendedores Compulsivos,  Palestrante e Trainner Internacional. Mais 150 mil pessoas treinadas. Auxilia empresas e pessoas na maximização da performance em vendas e no atingimento de objetivos e metas. Autor de 7 livros, 3 e-books e dez artigos acadêmicos, é reconhecido nos meios empresarial, acadêmico e popular, principalmente com o Best Seller: Como Construir Objetivos e Metas Atingíveis

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