Trabalho presencial: quando e como será possível?

Leandro Figueira Neto (*)

A volta, ou não, do trabalho presencial é um dos principais temas nas instâncias diretivas das grandes empresas brasileiras.

A escolha por um dos modelos de trabalho – totalmente remoto, híbrido ou presencial – será uma decisão que levará em conta diversos fatores, que vão desde a natureza da empresa, até sua cultura e seus valores. E um dos maiores desafios dessa fase será atrair os colaboradores de volta para os locais físicos de trabalho.

Em um primeiro momento, em um cenário de pandemia, a preocupação corporativa precisava ser com a saúde. Não se podia pensar em nenhum tipo de retorno antes de a maior parte da população ser vacinada.

Porém, agora, o Brasil trabalha com um cenário de imunização completa da grande maioria da população adulta. Diante desse quadro, executivos de grandes empresas têm debatido quais mudanças serão mantidas e quais devem ser adaptadas para a próxima fase.

Grande parte das empresas já manifestou a intenção de aderir ao modelo híbrido de trabalho, que se dará com escalas de grupos de colaboradores entre os modelos presencial e remoto. E aí entram as estratégias de transição. Voltar ao escritório deve ter um propósito e, por isso, tanto empresa quanto colaboradores passarão a enxergar esse espaço físico de outra forma.

Para não perder talentos, as empresas precisam compreender que o colaborador não quer mais perder tempo no trânsito, ou cumprir tarefas no local de trabalho que podem ser feitas em casa. Dessa forma, horários mais flexíveis devem entrar na rotina, assim como a concordância de que o escritório é ambiente para reuniões estratégicas de equipe, celebração com os times, ou encontro entre setores. Já atividades cuja natureza é de contato pessoal devem voltar para o modelo tradicional, mesmo com algumas adaptações.

É preciso lembrar ao colaborador que a sociabilização nos ambientes laborais é muito importante. O ser humano é social e esses momentos de ida ao escritório com um propósito serão um canal de interação. Por conta disso, para atrair pessoas para esses espaços, os ambientes serão mais atraentes e colaborativos.
As mesas fixas darão lugar a espaços compartilhados, com algumas salas para pequenas reuniões, ou para momentos que exigem mais concentração.

Os ambientes ganharão um clima mais descontraído, inclusive, com funcionalidades para o bem-estar da equipe, como salas de relaxamento ou academias. Não haverá mais o dress code tradicional, pois muitos se desacostumaram a usar sapatos ou roupas formais, preferindo se sentir em casa no local de trabalho. A tecnologia vai ajudar na composição das escalas, com uso de aplicativos para reservar espaço no escritório e até para saber quem estará na empresa naquele dia, otimizando encontros, ou permitindo almoços com colegas.

O planejamento para o retorno presencial deve ser feito com calma. Muitos mudaram de cidade, ou não matricularam os filhos com menos de 6 anos em escolas, por exemplo, e precisarão de tempo para se organizar antes do retorno. As redes tecnológicas deverão ser reestruturadas para que um único ambiente suporte mais notebooks ou equipamentos desconectados, além de mais videoconferências do que antes da pandemia.

Por isso, esse é um momento de planejar, pensar em quais atividades necessitam de presença integral e iniciar o diálogo com as equipes. Será preciso uma readaptação para que a volta tenha um significado, uma justificativa, e as pessoas se sintam motivadas. É como um músculo que deixamos de usar e que, aos poucos, precisará receber atividade, em uma adaptação gradativa.

Tudo isso com diretrizes claras e sem esquecer dos protocolos de saúde para a volta com segurança.

(*) – É diretor de Pessoas e Cultura do Grupo Marista.

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