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O Tomorrowland do Brasil e do mundo

em Opinião
terça-feira, 16 de junho de 2015

Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

Que destino terá o Brasil? Que futuro terá o planeta?  Não é fácil desvendar a mensagem do filme Tomorrowland, atualmente em cartaz nos cinemas.

A jovem Casey Newton, interpretada pela atriz Britt Robertson, é uma adolescente ousada que não aceita o que lhe dizem sem fazer perguntas. Ela quer saber das coisas e como será o futuro do planeta. Otimista e cheia de ideias, adora a ciência. Um dia, Casey encontra uma peça emblemática criada por Frank Walker (George Clooney), que tinha sido um garoto prodígio, mas que atualmente está desiludido com a situação do mundo, pois os sinais são claros: o planeta não está aguentando tanta pressão sobre os recursos naturais. Prevalece a ganância.

As pessoas veem o perigo, mas logo deixam pra lá, querem aproveitar a vida. São os fatos e as projeções que apontam para a falência do sistema, gerando a desesperança que decorre do desconhecimento da atuação das leis imutáveis da Criação, impulsionadas pelas ações da humanidade. Já nos encontramos diante de visões muito feias do que está acontecendo na Terra. Muitos olham, poucos veem o futuro que se aproxima de nós. Prenuncia-se uma catástrofe, o fim para muitos, e recomeço para os sonhadores que buscam um futuro melhor.

Na ficção, Casey descobre que a invenção pode transportá-la misteriosamente para outra realidade. A jovem e o gênio são postos em contato para juntos embarcarem numa missão perigosa, onde terão que desvendar os segredos de uma dimensão fora da Terra, conhecida como “Tomorrowland”. Ela quer o bem geral da humanidade, mas a dupla precisa ir até o além para tentar salvar o mundo. O personagem vivido por Clooney, Frank Walker, diz que é preciso acabar com a fonte do pessimismo, pois se todos ficarem pensando no pior, o pior acabará se realizando.

No Brasil, há séculos mal administrado, o que temos pela frente? Há uma onda de inconformismo destrutivo. Se tivesse havido maior cuidado com o país no século passado, a situação seria bem melhor. Não construímos as bases para um futuro decente. No século 21 o futuro se mostra comprometido. Especuladores e corruptos se beneficiam. Há o despreparo das novas gerações, pessimismo, indolência, tudo comprometendo o futuro. Como salvar o Brasil?

O mundo vive uma estagnada geral. É proibido sonhar. Tudo converge para o ciclo rotineiro da vida. Não há incentivos para o voo em direção aos sonhos. Os pensamentos estão acorrentados, sem vida. No entanto, “Cada pessoa pode e deve aspirar por ideais, seja qual for a atividade que desenvolve aqui na Terra. Pode, com isso, enobrecer qualquer espécie de trabalho, dando-lhe finalidades amplas”, escreve Abdruschin no livro Na Luz da Verdade. Estamos vendo propósito no nosso presente? Nossa atuação vibra em concordância com o que sentimos?

Ao se afastar das leis da Criação e apegar-se ao material, o ser humano colocou as engrenagens da vida na direção da formação do consumismo, importante pelos bens que disponibiliza, mas que foi perdendo a profundidade, tornando tudo superficial, forjando a vida das aparências, eliminando as individualidades, separando as pessoas, gerando a ânsia por divertimentos e prazeres, sufocando os ideais da vida. A ânsia por riqueza e poder gerou o mundo hostil, a desumanização e muitos desequilíbrios. Se as novas gerações estão sendo induzidas a olhar só para a sobrevivência e os prazeres, como poderão refletir sobre o significado da vida? A violência se propaga.

Para alcançarmos a paz duradoura e o progresso, precisamos criar no planeta condições de vida que formem verdadeiros seres humanos vivendo em harmonia com a natureza.

(*) – Graduado pela FEA/USP, realiza palestras sobre qualidade de vida. Coordena os (sites www.vidaeaprendizado.com.br) e (www. library.com.br). Autor dos livros: Conversando com o homem sábio; Nola – o manuscrito que abalou o mundo; O segredo de Darwin; 2012…e depois?; e Desenvolvimento Humano ([email protected]).