Direitos e deveres

Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

Governos e população têm deveres e direitos. Há um desarranjo geral na economia, mas há poucos estudos sobre as causas reais.

Já se percebeu que o aperto da situação econômica e o aumento da precarização tendem a elevar a pressão das populações atingidas. Há tantas coisas por fazer, mas não há trabalho. A carga tributária é alta e em geral mal aproveitada. O dinheiro tem que ser canalizado para ações que promovam a melhora nas condições de saneamento e tratamento da água, resultando em melhores níveis de saúde, educação e alimentação nutritiva.

O dinheiro está sumido, pois a atividade de produção é fraca. O Brasil manteve crescimento superior a 6% durante um bom período, caindo para 2% e para 1% em 2019. Atos de vandalismo geralmente agravam a situação. A riqueza vem dos recursos naturais, que por serem limitados e valiosos, mas por cobiça são disputados e açambarcados, deixam de favorecer a melhora nas condições de vida de grande parte da humanidade.

Depois de longa temporada de juros abusivos, a prioridade atual do setor público são as políticas para tornar sustentável a dívida inchada. O setor privado por si, sem a indústria, não tem potência para dinamizar a atividade econômica. Ao contrário, vai cortando tudo, precarizando para sobreviver. Para crescer, o país precisa manter equilíbrio nas contas internas e externas.

A China precisa de alimentos e commodities, vamos produzir e suprir as necessidades desse país. Mas as nossas cidades também precisam produzir, gerar trabalho, dinamizar as atividades, atender as necessidades internas, ter algo para exportar. O equilíbrio nas relações econômicas entre os povos sempre deve ser buscado visando uma existência condigna. As políticas de câmbio e juros fragilizaram a indústria que tem de ser revitalizada.

O Estado e a classe governante têm de se organizar e fazer o dinheiro arrecadado recircular para estimular a atividade econômica, fomentando a melhora geral, coibindo abusos do poder estatal e das corporações, isto é, das pessoas que só querem levar vantagem. O setor privado precisa se ajustar e buscar oportunidades para sair do marasmo, oferecendo oportunidades para conter o crescimento da desigualdade na distribuição da renda.

Num regime de liberdade, a circulação do dinheiro tem de ser contínua, mantendo a produção, o trabalho e o consumo. A economia mundial se apresenta com estagnação e juros negativos. Qual a causa? Está em andamento um processo de queda da renda que reduz o consumo. Os países da América do Sul, e inclusive o México, há séculos têm sido vítimas de maus governos. A democracia se apresenta instável no mundo todo. Há os que acham que a solução é impor governo forte com supressão da liberdade.

A falada conspiração pode ser um termo de disfarce para a rapinagem dos recursos naturais e prepotência. Com o desequilíbrio econômico global e o aumento da precarização, surgem instabilidades; a conspiração passa a trabalhar para implantar governos fortes para que a rapinagem possa prosseguir com tranquilidade. Há muitas coisas na liberdade e responsabilidade que precisam ser examinadas seriamente.

A questão dos direitos e deveres é simples: veja no trânsito, um motorista chega numa rotatória de um cruzamento e começa fazer o giro; vem um cara lá de longe, acelera e quer passar na frente. Ele não reconhece seu dever de motorista responsável; todos julgam que têm direitos e não se ocupam dos deveres. Em geral, tanto o 1% super rico como os 99% restantes não se preocupam com seus deveres. Na aspereza da atual luta renhida pela sobrevivência, tudo está sendo desrespeitado.

Os homens dizem: “Seja feita a Tua Vontade”, mas só fazem a própria. As Leis da Criação, ou leis naturais, universais, ou cósmicas, conduzem a Energia Criadora que a tudo sustenta; a sua atuação se dá com toda amplitude em todas as dimensões, visíveis aos nossos olhos ou não. Através delas, o livre arbítrio tece os destinos individuais e da humanidade como um todo. Cada pessoa e cada povo recebem de volta as consequências de seus atos, bons ou maus, incluindo os pensamentos, falas e ações.

As novas gerações precisam de bom preparo para a vida, ouvir o eu interior e pensar com clareza, cientes de que a melhora geral depende do esforço de cada um.

(*) – Graduado pela FEA/USP, coordena os sites (www.library.com.br) e (www.vidaeaprendizado.com.br). É autor de: Nola – o manuscrito que abalou o mundo; 2012…e depois?; Desenvolvimento Humano; O Homem Sábio e os Jovens; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”, entre outros. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7.

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