A precarização avança pelo mundo

Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

Quanto atraso ainda existe no país outrora dito abençoado.

Com a lei Áurea promulgada no ano de 1888, os produtores de café se incompatibilizaram com o Império. Veio a República que não se preocupou com a integração da população libertada, nem ofereceu escola. Em decorrência, teve início o movimento de favelização do Rio de Janeiro. De lá para cá os governantes pouco se esforçaram para forjar um país independente com população bem preparada para a vida.

Permanecemos como fornecedores de matéria prima e importadores de industrializados. Enfrentamos um momento delicado. As mazelas estão vindo à tona. Precisamos de seriedade e serenidade para manter a confiança de que o país vai fazer uma limpeza e sair das mãos dos escroques habilidosos que se apropriam de bens de outros por meios ilícitos.

Com a aproximação de um provável fechamento dos mercados, os países têm de fazer acordos bilaterais para intercâmbio comercial e tecnológico de forma equilibrada, sem precisar incorrer em novos empréstimos, e ainda preparar a população para produzir internamente o que não puder ser importado, gerando oportunidades de trabalho.

O mundo vive a precarização geral e se desumaniza. Aumenta a cobiça. Falta responsabilidade. Ser humano é não se deixar vencer pela raiva, ódio, insatisfação. É esforçar-se para compreender a vida. Temos testemunhado o aumento do apagão mental e precisamos combatê-lo com a boa educação. O mundo se tornou um lugar perigoso. É preciso muita vigilância material e espiritual para desfazer as ameaças antes que se tornem realidade – perigos a que todos nós estamos expostos com o avanço da internet e mídias sociais, com a possibilidade real de invasão na vida das pessoas.

Muitos jovens agem com insensatez, não querem ouvir os pais; acham-se muito melhores, fazem imposições, para só reconhecer, tarde demais, o valor das recomendações recebidas. Estamos diante de uma situação bem diferente do século passado quando as novas gerações tinham forte anseio para saber o porquê das coisas. Atualmente nos defrontamos com a apatia de muitos jovens que nada querem saber do sentido da vida, vivendo de forma superficial, atravessando seus dias sem um olhar atento ao seu redor.

Estamos num final de ciclo? Todos os efeitos de séculos de economia predatória e desequilibrada vêm à tona. Alguns percebem algo errado, mas é preciso analisar com isenção e sem viés ideológico. O grande causador de todo o malogro, que se manifesta na baixa qualidade de vida no planeta e no desastre ambiental, não tem outra causa que não o próprio homem intelectivo, que só enxerga o interesse próprio e não assume responsabilidade com o futuro.

Os jovens precisam de conscientização e automotivação. Na vida moderna, os incentivos para a busca do significado da vida estão sendo perdidos, havendo uma forte pressão para um viver acomodado e indolente, sem tempo para sonhar, refletir e ouvir a voz da intuição, ampliando o marasmo e inércia das massas. Há confusão no mundo. Faltam líderes sábios. A doença da decadência espiritual e moral atingiu a humanidade.

É preciso restabelecer o equilíbrio entre as nações, ampliando oportunidades de produzir e gerar trabalho, além de um grande acordo sobre as dívidas soberanas com redução de juros, aumento de prazos e bom senso para quebrar o ciclo de endividamento externo e interno. Gostaria de saber o que pensam os presidentes Trump, dos Estados Unidos, Temer, do Brasil e outros líderes mundiais, sobre como voltaremos a ter um crescimento natural, fundamentado num autêntico humanismo.

(*) – Graduado pela FEA/USP, realiza palestras sobre qualidade de vida. É também coordenador dos sites (www.vidaeaprendizado.com.br) e (www.library.com.br). Autor de diversos livros, como: Nola – o manuscrito que abalou o mundo; O segredo de Darwin; O Homem Sábio e os Jovens, entre outros ([email protected]).

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