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Superworker já é realidade e o RH deve ser protagonista na transformação

em Negócios
sexta-feira, 18 de julho de 2025

Kleber Piedade (*)

As transformações no mundo do trabalho costumam surgir primeiro como tendência e depois como urgência. Hoje, muitas empresas enfrentam um paradoxo. Enquanto a inteligência artificial avança rapidamente, muitas estruturas corporativas ainda funcionam com modelos analógicos. Esse descompasso pode tornar o trabalho humano obsoleto, não por falta de talento, mas por falta de visão estratégica. Por isso, é preciso repensar produtividade, gestão de pessoas e o papel da tecnologia. A questão não é mais se a inteligência artificial deve estar no dia a dia, mas como ela pode fortalecer o capital humano, não substituí-lo. É nesse cenário que surge o conceito de Superworker, criado por Josh Bersin.

Esse novo perfil profissional representa a convergência entre as capacidades humanas e o uso estratégico da tecnologia. Ao incorporar a inteligência artificial às atividades do dia a dia, o Superworker amplia sua capacidade de análise, resolução de problemas e geração de valor. O foco do trabalho se desloca da quantidade de horas investidas para a relevância e o impacto das entregas. O ganho de eficiência não está necessariamente em fazer mais, mas em fazer melhor. Entre as vantagens associadas a esse perfil estão o aumento da produtividade, a ampliação da criatividade, a agilidade na tomada de decisões e uma atuação mais alinhada ao propósito organizacional.

Em uma equipe de atendimento ao colaborador, por exemplo, é possível observar com clareza a diferença entre um modelo tradicional e um baseado nesse novo perfil. Enquanto um atendente atua de forma manual, alternando entre sistemas e elaborando respostas uma a uma, o Superworker conta com uma plataforma de IA generativa que sugere soluções personalizadas, identifica padrões e antecipa problemas com base no histórico de dados. O tempo de resposta é reduzido, o índice de resoluções na primeira interação aumenta e a experiência do colaborador se torna mais fluida. O profissional passa a intervir em casos mais complexos, atuando de forma consultiva e estratégica.

Um relatório da McKinsey & Company indica que a adoção de inteligência artificial generativa pode elevar a produtividade em até 40% em atividades de áreas como marketing, jurídico e atendimento. Esse ganho não está associado à redução de quadros, mas sim à criação de uma nova lógica de colaboração entre humanos e máquinas, na qual a tecnologia amplia o alcance das capacidades humanas.

Esse avanço exige que o setor de Recursos Humanos amplie seu papel nas organizações. O RH deixa de ser apenas executor de rotinas administrativas para se tornar o responsável por redesenhar processos e integrar tecnologias ao trabalho diário. É fundamental que incentive o desenvolvimento das competências digitais, preparando os colaboradores para os desafios tecnológicos. Além disso, deve garantir o uso ético da inteligência artificial e promover o acesso democrático às ferramentas, para que todos possam se beneficiar dessas mudanças. Dessa forma, o RH atua como um parceiro estratégico na transformação do trabalho.

Portanto, essa transformação depende menos de ferramentas e mais de decisões estratégicas. Reconhecer o potencial do Superworker envolve revisar práticas consolidadas, atualizar metodologias de desenvolvimento e garantir que todos os colaboradores tenham as condições necessárias para acompanhar essa evolução. Quando o RH assume essa responsabilidade, contribui de forma decisiva para construir um ambiente de trabalho mais eficiente, inclusivo e conectado com os desafios atuais. A mudança é possível, mas requer intencionalidade, planejamento e comprometimento coletivo.

(*) CEO da Bondy.