
Em categorias como vestuário, que concentra 41% das intenções de compra, e cosméticos, com 28%, o consumidor busca contato direto com o produto nos estabelecimentos, mesmo com as facilidades do comércio eletrônico
A preferência de 72% dos consumidores brasileiros pelas lojas físicas nas compras de Dia das Mães, segundo pesquisa da Abecs em parceria com o Datafolha, evidencia um comportamento que vai além da praticidade. Em uma das datas mais relevantes para o varejo, o ato de presentear se transforma em experiência, e o ambiente físico segue como o principal espaço onde esse processo ganha significado.
Heloísa Medeiros Costa, COO da PH3A, empresa especializada em marketing digital, big data, crédito e cobrança, explica que a escolha está diretamente ligada à natureza emocional da data. “O consumidor não está apenas comprando um produto, mas construindo um momento, e a loja física oferece elementos que o digital ainda não consegue reproduzir com a mesma intensidade”, diz.
Entre os fatores que explicam essa preferência está a necessidade de tangibilidade. Em categorias como vestuário, que concentra 41% das intenções de compra, e cosméticos, com 28%, o consumidor busca contato direto com o produto. “Atributos como textura, caimento e fragrância carregam valor simbólico e influenciam diretamente na decisão, o que torna a experiência presencial decisiva”, recorda Heloísa.
Outro ponto central é a redução do risco emocional. Presentear envolve expectativa e também receio de erro. Segundo a executiva, a loja física oferece uma sensação de controle que pesa nesse momento. “A possibilidade de ver o produto, contar com orientação do vendedor e resolver eventuais trocas de forma imediata reduz incertezas e torna a decisão mais segura”, pontua.
A experiência compartilhada também aparece como um diferencial relevante. Heloísa destaca que, no Dia das Mães, a compra muitas vezes deixa de ser individual e passa a ser um ritual coletivo. “Ir ao shopping ou ao comércio de rua com familiares faz parte da celebração, reforçando vínculos e agregando valor ao presente”, afirma.
Esse comportamento dialoga com uma tendência mais ampla do varejo no período pós-pandemia. De acordo com a COO da PH3A, houve uma redescoberta do consumo presencial em ocasiões especiais. “O digital permanece forte na rotina e na conveniência, mas perde protagonismo quando a compra envolve afeto e significado. A concentração de categorias sensoriais entre as preferências reforça esse movimento. Vestuário, perfumaria e itens para casa concentram a maior parte das intenções de compra, indicando que quanto maior a carga simbólica do presente, maior a relevância do ambiente físico”, diz.
Em contrapartida, produtos mais padronizados, como eletrodomésticos, tendem a migrar com mais facilidade para o e-commerce, onde preço e especificações técnicas são suficientes para a decisão. “O dado não indica um retrocesso do digital, mas uma maturidade maior do consumidor brasileiro. Ela avalia que hoje há uma escolha mais estratégica dos canais, guiada pelo tipo de compra e pela experiência desejada. No Dia das Mães, essa lógica se intensifica, porque presentear deixa de ser apenas consumo e passa a ser expressão”, diz.

