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Reforma tributária desafia empresas a revisar estratégias de preços

em Negócios
quarta-feira, 15 de abril de 2026

Mudanças no modelo de tributação sobre consumo exigirão revisão de margens, custos e estratégias comerciais nas empresas.

A reforma tributária aprovada pelo Congresso Nacional deve provocar mudanças na forma como as empresas definem os preços de produtos e serviços. A substituição de tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) inaugura um novo modelo de tributação, que altera a incidência de impostos ao longo da cadeia produtiva e pode impactar a formação de preços no mercado.

Considerada uma das mudanças estruturais mais relevantes do sistema fiscal brasileiro nas últimas décadas, a reforma busca simplificar a tributação sobre o consumo e reduzir distorções do modelo atual. Nesse contexto, Frederico Zornig, CEO da Quantiz, consultoria especializada em pricing e revenue management, afirma que a transição para o novo sistema deve exigir das empresas uma revisão de suas estratégias de precificação, gestão de custos e análise de rentabilidade.

“O sistema atual apresenta uma estrutura complexa de tributos, com regras distintas entre estados e municípios, o que gera cumulatividade e dificulta a identificação da carga tributária efetivamente embutida nos preços. Com a reforma, o Brasil passa a adotar um modelo inspirado no Imposto sobre Valor Agregado (IVA), no qual o tributo incide sobre o valor agregado em cada etapa da cadeia produtiva. Na prática, esse modelo tende a aumentar a transparência sobre a composição do preço final e a carga tributária incidente sobre produtos e serviços”, explica.

Segundo o especialista, as mudanças também devem exigir ajustes na forma como as empresas calculam seus preços. “Alterações nas alíquotas e no aproveitamento de créditos tributários podem impactar a estrutura de custos e as margens de lucro, o que demanda uma reavaliação das estratégias de precificação”.

De acordo com ele, a precificação deve se tornar um dos principais pontos de atenção para organizações de diferentes setores. “Dependendo da atividade econômica e da estrutura da cadeia produtiva, a reforma pode resultar em aumento ou redução da carga tributária efetiva, com impacto direto sobre o preço final. Em segmentos com cadeias mais longas, a eliminação da cumulatividade pode gerar ganhos de eficiência. Já em atividades intensivas em serviços, há possibilidade de aumento da carga tributária, o que pode pressionar margens ou exigir ajustes nos preços”, diz.

Zornig destaca que a revisão da política de preços tende a ganhar caráter estratégico. “Modelos tradicionais de precificação, baseados apenas em custos e margens, podem não ser suficientes diante das novas variáveis introduzidas pela reforma. Será necessário compreender o impacto dos tributos ao longo da cadeia de valor e avaliar como essas mudanças afetam a competitividade”, afirma.

Split Payment e a adaptação financeira das empresas
Além das mudanças na estrutura de impostos, a reforma também traz alterações operacionais que podem afetar o fluxo financeiro das empresas. Um exemplo é a implementação de mecanismos de recolhimento automático de tributos, conhecidos como “Split Payment”, que direcionam parte do valor das transações diretamente para o pagamento de impostos. Essa dinâmica exige adaptação nos processos financeiros e maior controle sobre a gestão de caixa.

Outro fator relevante é o período de transição previsto para a implementação completa da reforma. O novo sistema será adotado gradualmente ao longo de vários anos, o que significa que empresas terão que conviver simultaneamente com diferentes regimes tributários durante parte desse processo. Essa convivência entre modelos fiscais distintos aumenta a complexidade da gestão tributária e reforça a necessidade de planejamento estratégico.

Durante essa fase de adaptação, organizações precisarão revisar contratos comerciais, atualizar sistemas de gestão e adaptar seus modelos de precificação para garantir que os preços reflitam corretamente as novas estruturas de custos e impostos. A precificação passa a assumir um papel ainda mais central nas decisões de negócios, funcionando como um elo entre estratégia financeira, posicionamento de mercado e rentabilidade.

Oportunidade de modernização na estratégia de preços e negócios estratégicos
Para o executivo, o momento representa uma oportunidade para que empresas modernizem seus processos e adotem uma visão mais estratégica sobre preços. Segundo ele, a reforma tributária pode servir como um catalisador para mudanças estruturais na forma como as organizações analisam sua rentabilidade.

“Empresas que utilizarem a reforma como um gatilho para modernizar suas estratégias de precificação e investir em análise de dados terão vantagem competitiva. Aquelas que mantiverem modelos antigos de cálculo de preços podem enfrentar dificuldades para preservar margem e competitividade. Apesar dos desafios iniciais, a expectativa é que a simplificação tributária traga benefícios importantes para o ambiente de negócios no longo prazo. Com regras mais claras e maior transparência na incidência de impostos, empresas poderão ter mais previsibilidade na gestão de custos e na definição de preços”.

Em sua última observação, Frederico aponta que a redução de distorções tributárias tende a estimular a concorrência baseada em eficiência, inovação e estratégia comercial, em vez de vantagens fiscais decorrentes da complexidade do sistema atual.

“Diante disso, esse novo cenário econômico que começa a se desenhar no Brasil, a capacidade de transformar mudanças tributárias em decisões estratégicas de negócios será determinante para o desempenho das empresas. E, cada vez mais, entender a relação entre tributos, custos e preços deixará de ser apenas uma questão fiscal para se tornar um elemento central da competitividade corporativa”. Fonte e outras informações: (https://www.quantiz.com.br/).

Reforma Tributária necessária, urgente e perigosa – Jornal Empresas & Negócios