Daniel Salmazo Venâncio (*)
O embedded finance é a prática de uma empresa oferecer produtos financeiros dentro do próprio site ou aplicativo e mantê-lo sob o nome da marca, evitando que o consumidor precise acessar o banco para concluir a operação. No Brasil, o modelo tem sido um sucesso, visto que os principais exemplos de sua aplicação, as linhas de crédito para pix e consórcios, tem encontrado cada vez mais adesão.
Um relatório da Research and Market, divulgado ao final de 2025, apontou que o mercado brasileiro de embedded finance cresceu 13,3% ao ano entre 2021 e 2025, com a expectativa de manter o crescimento por volta de 6,7% até 2030, alcançando o valor de US$18,33 bilhões. Esse crescimento indica que a incorporação de serviços financeiros à jornada das marcas deixou de ser uma tendência experimental e passou a fazer parte da estratégia de negócios de diferentes setores.
Há ainda uma peculiaridade no cenário brasileiro de embedded finance, a relação simbiótica com o conceito de white label, ou seja, modelo em que uma solução, produto ou infraestrutura desenvolvida por uma empresa pode ser oferecida por outra sob sua própria marca. Neste caso, é a fintech ou a administradora de consórcios que se encarrega de operacionalizar a solução, enquanto o consumidor a contrata pela plataforma da marca, criando um ecossistema complexo, mas atrativo.
Assim, a empresa não precisa necessariamente escolher entre desenvolver internamente ou abrir mão do produto, ela escolhe a terceira via, mantendo a marca, o cliente e a estratégia enquanto uma estrutura especializada assume a complexidade operacional.
Adotando soluções nacionais
A decisão de buscar um parceiro para tornar os produtos financeiros embutidos possíveis se justifica pelo padrão de consumo brasileiro, fortemente apoiado em produtos financeiros nacionais. De acordo com uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 38% dos usuários de pix já utilizaram a função de parcelamento da ferramenta, enquanto a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcio (ABAC) aponta que, até abril de 2026, o Brasil tem 12,9 milhões de consorciados ativos.
Para as empresas, o desafio deixou de ser simplesmente oferecer um produto financeiro, a questão passou a ser como incorporá-lo à experiência da marca com segurança, escala e eficiência operacional. Dessa forma, as fintechs e as administradoras de consórcio se destacam por oferecerem eficiência, conformidade e segurança, enquanto as marcas se dedicam às estratégias de venda.
Fortalecendo a relação
O levantamento CX Trends 2026, realizado pela Opinion Box em parceria com a Octadesk, aponta que 60% dos consumidores brasileiros dão preferência para marcas que oferecem boas experiências, enquanto 63% fazem questão de criticar publicamente quando a relação é ruim.
Especialmente para multinacionais que estão se estabelecendo no Brasil, ou para empresas que pretendem introduzir um novo produto para o público nacional, a adesão às soluções financeiras regionais é essencial para estabelecer um bom vínculo e gerar confiança. Quando uma empresa oferece uma solução alinhada à sua marca, ela amplia os pontos de contato com o consumidor e torna a jornada mais completa.
Em outras palavras, a inclusão do pix em modelos embedded finance e a utilização de consórcio no modelo white label se tornaram práticas essenciais para o relacionamento entre marcas e consumidores no Brasil. Com isso, a terceirização desses produtos provou-se eficaz e rentável, indicando que esses modelos vão continuar impulsionando o mercado de fintechs e administradoras. Os investimentos, no entanto, nunca devem perder de vista seu principal beneficiário, que é o consumidor.
(*) Diretor Executivo de Operações na Âncora Consórcios, uma das maiores administradoras independentes de consórcios do Brasil.


