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O verdadeiro ROI da inteligência artificial não está na IA generativa, mas nas decisões que ela acelera

em Negócios
segunda-feira, 03 de agosto de 2026

Carlos Schmiedel (*)

A inteligência artificial entrou definitivamente na agenda estratégica das empresas. Segundo projeção da Gartner, os gastos globais com IA devem atingir US$ 2,5 trilhões em 2026, crescimento de 44% em relação ao ano anterior. O avanço mostra a força dessa transformação, mas também traz uma nova cobrança: como transformar investimento em resultado?

Depois de uma primeira fase marcada pela adoção acelerada de ferramentas generativas, o mercado começa a amadurecer. A discussão deixa de ser apenas sobre implementar IA e passa a ser sobre como essa tecnologia gera impacto real nos negócios.

Durante muito tempo, empresas avaliaram inteligência artificial pela capacidade de automatizar processos ou aumentar produtividade individual. Esses ganhos são importantes, mas o verdadeiro retorno acontece quando a IA consegue acelerar decisões.

O maior desafio das organizações hoje não é a falta de dados. Pelo contrário: empresas acumularam anos de informações em sistemas, relatórios e diferentes plataformas. A dificuldade está em transformar esse volume em contexto para apoiar decisões mais rápidas e estratégicas.

Um exemplo comum acontece quando uma empresa busca utilizar inteligência artificial para otimizar um processo crítico, como o cálculo de margem ou a previsão de vendas, sem antes garantir a qualidade dos dados que alimentam essas análises. Se a base de vendas está incompleta, com informações inconsistentes ou preenchidas de forma incorreta, a IA apenas acelera conclusões equivocadas. Isso evidencia que uma adoção mais madura da tecnologia depende da combinação entre inteligência artificial, dados confiáveis e processos bem estruturados.

A própria Gartner aponta que a adoção da IA depende cada vez mais da maturidade dos processos organizacionais, e não apenas do investimento financeiro. Isso mostra que a vantagem competitiva estará menos em quem possui mais ferramentas e mais em quem consegue integrar inteligência artificial à operação.

A próxima etapa da IA corporativa será definida pela capacidade de conectar tecnologia, dados e estratégia. Afinal, uma resposta rápida tem pouco valor se não estiver baseada no contexto correto do negócio.

Assim como aconteceu com outras grandes transformações tecnológicas, a inteligência artificial está passando da fase de experimentação para a fase de geração de valor. Os próximos anos não serão definidos pelas empresas que adotaram IA primeiro, mas pelas que conseguirem usá-la para tomar decisões melhores.

Porque, no fim, o verdadeiro ROI da inteligência artificial não está apenas no que ela automatiza, mas na velocidade e qualidade das decisões que ela permite tomar.

(*) Co-fundador e CEO da Draiven.