Marcio Aguilar (*)
Sempre estivemos acostumados a lidar com números no setor de fomento comercial: balanços, demonstrativos financeiros, índices de endividamento e outros indicadores. Porém, cada vez mais, percebe-se que esses dados, por si só, talvez não sejam suficientes para garantir uma análise de crédito assertiva. E por que digo isso? Porque compreender o perfil comportamental das empresas e de seus sacados pode ser tão relevante quanto avaliar a saúde financeira.
Afinal, o comportamento revela padrões que os números, sozinhos, dificilmente mostram. Como a empresa lida com prazos? Qual a postura diante de crises? Qual o histórico de relacionamento com fornecedores e clientes? Essas informações, somadas aos dados financeiros, compõem um retrato mais completo.
É nesse ponto que o setor de fomento pode encontrar na Inteligência Artificial (IA) uma parceira estratégica, capaz de organizar grandes volumes de informações e cruzar dados de consumo, liquidez, concentração de dívidas e indicadores reputacionais.
Mas o papel da IA não se limita à análise do risco imediato. Ela também pode apoiar uma leitura mais ampla das tendências de mercado, da permanência de setores e da evolução do comportamento dos consumidores, fortalecendo a segurança das operações e permitindo a antecipação de cenários e a identificação de novas oportunidades de negócios.
Essa combinação de números, análise comportamental e tecnologia tem potencial para tornar a concessão de crédito mais precisa, ágil e confiável, abrindo caminho para um setor de fomento mais previsível, competitivo e capaz de impulsionar um ambiente economicamente equilibrado.
O futuro do fomento passa por essa evolução. Pois já não basta considerar apenas registros financeiros; é preciso compreender também o comportamento. E, nesse caminho, a IA pode se consolidar como uma aliada importante, a serviço do fortalecimento das relações de crédito.
(*) Advogado e Presidente do Sindicato das Sociedades de Fomento Comercial – Factoring do Rio Grande do Sul (Sinfac-RS).

