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A manutenção preventiva continua sendo ignorada até que o problema apareça

em Negócios
sexta-feira, 10 de julho de 2026

Empresas ainda priorizam correções emergenciais, apesar dos impactos que falhas em infraestrutura podem causar sobre produtividade, receita e continuidade operacional

O custo médio global de uma violação de dados chegou a US$ 4,44 milhões em 2025, segundo o relatório Cost of a Data Breach, da IBM. O levantamento mostra que incidentes tecnológicos geram impactos que vão além da área de TI, envolvendo resposta à crise, paralisações, perda de receita e danos à reputação. O dado reforça um alerta para empresas que ainda tratam a manutenção preventiva de redes, servidores, equipamentos e sistemas de segurança como uma prioridade secundária.

Para Pericles D’Elia Junior, empresário e especialista em infraestrutura tecnológica, segurança eletrônica e audiovisual, muitas organizações ainda só direcionam atenção à infraestrutura quando uma falha já comprometeu a operação.

“É muito comum encontrar empresas que investem em novos equipamentos e sistemas, mas deixam de lado a manutenção da estrutura que sustenta tudo isso. O problema é que a tecnologia costuma avisar antes de falhar, e esses sinais nem sempre recebem a atenção necessária”, afirma.

De acordo com o especialista, lentidão recorrente, instabilidade de rede, equipamentos operando acima da capacidade, falhas intermitentes e quedas ocasionais de conexão costumam ser indícios de que a infraestrutura precisa de revisão.

“Quando uma empresa espera a falha acontecer para agir, normalmente o custo já é muito maior. Além do reparo, existem impactos na produtividade das equipes, atrasos em processos internos, dificuldades no atendimento ao cliente e perdas financeiras decorrentes da interrupção das operações”, explica.

O avanço da computação em nuvem, da inteligência artificial e dos sistemas cada vez mais integrados ampliou a importância da manutenção preventiva. Hoje, praticamente todas as áreas de uma empresa dependem de ambientes tecnológicos estáveis para funcionar adequadamente.
Segundo Pericles, um dos erros mais comuns é acreditar que a ausência de problemas aparentes significa que tudo está funcionando corretamente.

“Muitas vulnerabilidades ficam invisíveis por meses ou anos. Cabeamentos deteriorados, equipamentos próximos do limite de capacidade, sistemas desatualizados e falhas de configuração podem permanecer ocultos até que um incidente mais grave aconteça”, diz.
Na avaliação do especialista, a manutenção preventiva deve ser encarada como parte da estratégia operacional das empresas, e não apenas como uma atividade técnica.

“Quando falamos de infraestrutura, estamos falando da base que sustenta vendas, atendimento, financeiro, comunicação e diversas outras áreas. Quanto mais dependente a empresa se torna da tecnologia, mais importante passa a ser o acompanhamento preventivo desses ambientes”, afirma.

A lógica é semelhante à adotada em setores nos quais interrupções não são aceitáveis, como transmissões ao vivo, eventos de grande porte e operações críticas. Nesses ambientes, revisões periódicas e monitoramento constante fazem parte da rotina justamente para reduzir riscos e evitar paralisações inesperadas.

Com mais de 25 anos de atuação em projetos de infraestrutura tecnológica, redes corporativas, segurança eletrônica e audiovisual, Pericles acredita que a prevenção continuará sendo um diferencial competitivo para empresas que buscam maior estabilidade operacional.

“A manutenção preventiva raramente recebe reconhecimento quando tudo está funcionando. Mas é justamente ela que evita problemas capazes de gerar prejuízos muito maiores no futuro. A maioria das falhas críticas poderia ser minimizada ou até evitada com acompanhamento adequado e revisões periódicas”, conclui.

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