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4 dicas para não cair em golpes ao validar documentos

em Negócios
segunda-feira, 22 de junho de 2026

Especialista aponta cuidados essenciais para evitar golpes em um cenário de avanço de deepfakes, phishing e identidades sintéticas

Com o avanço da digitalização, validar documentos online deixou de ser apenas uma etapa operacional e passou a representar um desafio crescente de segurança digital. Segundo o Relatório de Identidade e Fraude 2025, da Serasa Experian, 51% dos brasileiros sofreram algum tipo de fraude no último ano. Ao mesmo tempo, golpes envolvendo documentos falsos e identidades sintéticas vêm ganhando sofisticação com o uso de inteligência artificial, deepfakes e dados vazados.

O tema ganhou ainda mais relevância após o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) anunciar que tornará obrigatória, a partir de maio de 2026, a autenticação em dois fatores nos sistemas da Plataforma Digital do Poder Judiciário (PDPJ-Br), substituindo códigos enviados por e-mail por aplicativos autenticadores como Google Authenticator e FreeOTP.

Para Klaus Riffel, fundador e CEO da doc9, lawtech que desenvolve soluções de automação, gestão operacional e segurança digital para o setor jurídico, o movimento mostra que identidade digital e controle de acessos deixaram de ser uma preocupação restrita à área de tecnologia. “O problema hoje não é apenas um documento falso, mas identidades digitais construídas com dados reais e combinadas com ferramentas de IA. Isso exige processos mais robustos de autenticação, validação e rastreabilidade”, afirma.

Diante desse cenário, o especialista aponta quatro cuidados essenciais para reduzir o risco de golpes ao validar documentos:

  1. Ative autenticação em dois fatores
    O uso de aplicativos autenticadores adiciona uma camada extra de segurança e reduz significativamente o risco de acessos indevidos, mesmo em casos de vazamento de senhas. A própria decisão do CNJ de tornar obrigatória a autenticação em dois fatores nos sistemas da PDPJ-Br reforça como identidade digital e validação de acessos passaram a ser temas críticos.

O movimento também aumentou a preocupação de empresas com o controle sobre certificados digitais utilizados para acessar tribunais e sistemas corporativos. Hoje, o Whom.doc9, plataforma de gestão de certificados digitais da doc9, gerencia cerca de 60 mil certificados para mais de 100 mil usuários ativos em todo o país, permitindo rastrear acessos, definir permissões e reduzir riscos relacionados ao uso indevido de credenciais.

  1. Confira a origem da plataforma
    Antes de enviar documentos pessoais, é importante validar se o link pertence ao domínio oficial da empresa ou instituição. O Brasil registrou mais de 500 milhões de tentativas de phishing em 2025, segundo a Kaspersky.
  2. Controle onde e para quem você envia seus documentos
    RG, CPF e CNH devem ser enviados apenas por canais confiáveis e, sempre que possível, acompanhados de marca d’água indicando a finalidade do uso. Segundo levantamento da CAF, empresa especializada em verificação documental, as tentativas de fraude com documentos no Brasil mais que dobraram entre 2022 e 2025, chegando a mais de 51 mil casos. Em 84% delas, o documento alvo foi o RG, o mais comum entre os brasileiros e o que circula com maior facilidade em processos digitais. Golpistas montam dossiês combinando dados de diferentes vazamentos para construir identidades sintéticas e fraudar validações em sequência.
  3. Não confie apenas na aparência do documento
    Deepfakes e documentos gerados por IA tornaram fraudes digitais mais difíceis de identificar visualmente. Em casos sensíveis, a recomendação é validar informações por canais oficiais e utilizar ferramentas adicionais de verificação.

“Quando o Judiciário muda seus protocolos de autenticação e os dados mostram que fraudes documentais digitais já superam as físicas, o recado é claro: o ambiente mudou. Quem ainda valida documentos só na base do olhar crítico ou da assinatura manuscrita está operando com ferramentas do passado para enfrentar ameaças do futuro”, completa Riffel.

Como sistemas de gerenciamento de documentos podem ajudar as empresas – Jornal Empresas & Negócios