A taxa básica de juros muito elevada do Brasil continuará pressionando as empresas não financeiras brasileiras, com despesas com juros excepcionalmente altas, até 2027, de acordo com relatório da Moody’s. A taxa básica de juros do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) do Brasil é hoje a mais alta do mundo entre as principais economias e recuará apenas ligeiramente nos próximos meses. Os riscos de governança e de liquidez nas empresas não financeiras estão enfraquecendo sua qualidade de crédito, enquanto os investidores se tornam mais cautelosos em relação à alta alavancagem corporativa e restringem o acesso dos tomadores aos mercados de capitais internacionais.
As taxas de juros do Brasil permanecem estruturalmente elevadas hoje, em 14.25%, mesmo depois de o banco central ter reduzido a Selic três vezes desde fevereiro de 2026, a partir de um pico de 15%. A atividade econômica aquecida manteve baixa a taxa de desemprego do Brasil, enquanto os gastos fiscais e a robusta concessão de crédito por parte dos bancos estatais alimentaram a demanda doméstica e a inflação. O conflito entre EUA e Irã está levando a preços de energia mais altos e à inflação, enquanto déficits fiscais maiores e uma demanda de investimento mais forte, sob o novo regime macroeconômico global , aumentam as necessidades de captação. Em conjunto, esses fatores impulsionam expectativas de taxas de juros mais altas por mais tempo.
Para as empresas não financeiras, as taxas de juros elevadas dificultam o acesso aos mercados de crédito, especialmente fora do Brasil. Cerca de um terço da dívida corporativa com rating do Brasil é de taxa flutuante. Os riscos de governança e de liquidez desde fevereiro expuseram a fragilidade dos tomadores corporativos que iniciaram o ciclo de aperto com políticas financeiras agressivas, alta alavancagem e vencimentos expressivos no curto prazo. A Moody’s adotou 12 ações de rating negativas sobre empresas brasileiras não reguladas e não financeiras entre janeiro e julho de 2026 — refletindo a deterioração de sua qualidade de crédito.
O desempenho recente do setor corporativo brasileiro também reflete uma reprecificação global mais ampla do risco de crédito. O apetite ao risco dos investidores tornou-se cada vez mais diferenciado, ampliando a distância entre emissores mais fortes e mais fracos. As empresas com modelos de negócios resilientes, alavancagem conservadora e ampla liquidez continuam a acessar os mercados de capitais, enquanto os tomadores mais alavancados enfrentam custos de refinanciamento materialmente mais altos e alternativas de financiamento mais limitadas.

