Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)
O modelo de globalização do Império Romano, que se impunha com as armas para tirar proveito de outros povos, foi aperfeiçoado com o estabelecimento de colônias pela Europa, Inglaterra e Estados Unidos que, no pós-guerra, introduziu o dólar como a moeda global e ampliou o militarismo. No século 21, surge a China dando novas feições para o mesmo método, buscando na globalização a força para aumentar seu poder. De uma forma ou de outra, o alvo são as nações atrasadas para fornecerem matérias primas e mercado consumidor, e se tornarem tomadoras de créditos.
Durante séculos, religião, poder público e poder econômico tinham uma equivalência; a religião podia exercer sua influência de forma desembaraçada. O século 20 assinalou o processo de mudança. Começou com o cinema, que se tornou a distração básica. A TV ampliou a captura. Mas, no século 21, as mídias sociais e o celular afetaram tudo, capturando e influenciando pessoas de todas as idades, modificando os hábitos e as suas concepções sobre a vida. As consequências estão visíveis na perda da essência humana, restringindo a alma, e estabelecendo um processo contínuo de robotização que causa arrepios.
Muito se fala em nova ordem mundial entre os povos. Isso terá de ocorrer de forma natural com o respeito de todos às leis universais da natureza que, se utilizadas corretamente de forma consciente, estabelecem a paz, harmonia e a diversidade, banindo o caos. No entanto, cada nação deve conduzir o seu destino em consonância com as condições do solo e da natureza onde nasceram, respeitando os demais povos, alcançando progresso real e aprimoramento, da forma como sempre deveria ter sido entre os seres humanos em peregrinação pela Terra em busca da Luz.
Os acontecimentos apontam para a eclosão de uma grande crise. O grande desafio é o de sempre. Tem faltado à humanidade a consciência de sua responsabilidade com o futuro, por ter sido displicente ao longo dos milênios com a vida, seu futuro, sua sustentabilidade. É necessário buscar o sentido da vida em vez de ficar criando falsas verdades turvando tudo. Se houvesse o conhecimento da reencarnação do espírito com clareza, cada indivíduo saberia que teria de voltar a tudo o que fizesse sobre a Terra. Cada um tem de procurar a Luz da Verdade por si. Isso exige querer forte e força de vontade. Muitas vezes o ser humano é tocado pela dúvida, pela sensação de ter perdido algo, mas não vai em frente; é esse o grande obstáculo que o retém nas baixadas.
O grande problema gerado pelo atraso no desenvolvimento da humanidade é que em vez de alcançar melhoras, muitas coisas estão tendendo para a precarização geral que avança, aumentando as dificuldades, gerando um futuro de incertezas. Com o predomínio dos desejos egocêntricos, a dignidade humana foi sendo posta de lado. A espécie humana se ressente disso em seu indispensável aprimoramento. Só o bom preparo das novas gerações para a vida poderá aliviar essa situação.
A humanidade indolente sofre agora as consequências da estruturação por ela criada, seja nas crises financeiras, ou no viver sem perspectivas de uma continuada melhora nas condições gerais de vida que combata a miséria material e espiritual que se esparrama pelo mundo. É preciso entender que tudo isso faz parte da grande colheita.
A riqueza criada, embora propicie enorme poder terreno, não tem contribuído para o aumento da paz e felicidade. As verdadeiras riquezas não têm preço; são aquelas condições e recursos ofertados pela natureza que propiciam a existência da vida no planeta, porém pouco respeitadas em função da obtenção de lucros imediatos.
Aproxima-se a fase do exame do aproveitamento espiritual das vivências dos seres humanos em várias existências terrenas. Os que forem aprovados ingressarão na pós-graduação, no desenvolvimento completo do espírito. Os que não aproveitaram as oportunidades dadas em várias existências para o fortalecimento e desenvolvimento do espírito, estarão sujeitos à perda da individualidade conquistada, ficando sem mais vagas na escola da vida.
(*) Graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: [email protected]

