Mercadante nega ter oferecido ajuda financeira a Delcídio e isenta Dilma

Andressa Anholete/Framephoto/Estadão Conteúdo
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Ministro da Educação, Aloízio Mercadante, na coletiva de imprensa na tarde de ontem (15).

Brasília – Com a voz embargada e bastante tenso, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, enfatizou que sua conversa com o assessor do senador Delcídio Amaral, José Eduardo Marzagão, teve caráter estritamente pessoal e não foi feita com o conhecimento da presidente Dilma Rousseff. “A presidente não tem nenhuma responsabilidade. A responsabilidade é inteiramente minha”. Durante entrevista coletiva, Mercadante disse que a sugestão de que poderia falar com ministros do STF sobre a situação do senador tinha apenas o objetivo de construir uma “tese jurídica”.
Em nenhum momento, segundo ele, a intenção era fazer uma defesa do senador, oferecer qualquer tipo de ajuda financeira, ameaçá-lo e impedir sua delação. “Deixo muito claro que não fiz nenhuma proposta (de ajuda financeira)”, afirmou. “Como vou propor algum tipo de ajuda financeira a Delcídio?”, questionou. Em diversos momentos da entrevista, Mercadante foi questionado sobre o momento em que disse que iria falar com um dos ministros do STF, Ricardo Lewandowski, para tentar tirar Delcídio da prisão. Mercadante afirmou, porém, que durante toda a conversa, o assessor de Delcídio tentou induzi-lo a fazer uma intervenção para impedir a delação.
Em sua defesa, Mercadante disse que nem todo o conteúdo da conversa foi divulgado, e mencionou trechos em que afirmou: “eu não tenho nada a ver com a delação dele”, “minha preocupação é zero”, “não estou nem aí se vai delatar ou não vai delatar”. Mercadante disse ainda que achava que o senador havia cometido um erro, mas que não iria fazer uma defesa jurídica ou financeira de Delcídio. “Se ele ameaçava fazer uma delação, a decisão era dele.”
Mercadante disse ter procurado o assessor de Delcídio depois de ter lido mensagens de uma campanha de difamação contra as filhas do senador na internet. “Me sensibilizei com a situação da família de Delcídio, da mulher e das filhas”, disse. Segundo ele, porém, apesar de ter se oferecido para encontrar a família durante uma viagem a trabalho em Mato Grosso do Sul, não houve retorno. A todo o momento, Mercadante reiterou que suas sugestões foram feitas na condição de amigo de Delcídio e colega de Senado. Daí, segundo Mercadante, a proposta de, no âmbito do Senado, buscar uma solução jurídica, apelando aos consultores da Casa. “A única saída que eu via era por meio do Senado”, afirmou. “Não havia ambiente para Delcídio sair da prisão sem tese uma jurídica consistente” (AE).

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