Humans Rights: desmatamento na Amazônia ‘é comandado’ por redes criminosas

Foto: Arquivo/ABr

Relatório aponta ligação entre redes criminosas e desmatamento.

Relatório divulgado ontem (17) pela ONG Humans Rights Watch (HRW) afirma que os grupos que desmatam a Amazônia praticam ameaças e assassinatos para invadir terras de comunidades tradicionais. As organizações que atuam em diversas atividades ilegais mantêm conexões, formando redes criminosas, segundo o pesquisador da ONG César Muñoz. “Então, você tem o grupo que faz extração ilegal de madeira, outro especializado em grilagem e outro esquentando a madeira”, afirmou durante a apresentação das conclusões.
O trabalho foi elaborado a partir de dois anos de pesquisa, com visitas a três estados, e 170 entrevistas, parte por telefone, com moradores da região e agentes públicos. Um dos principais fatores que possibilita a ação das redes criminosas na região é a falta de apuração das mortes e ameaças. Dos mais de 300 assassinatos ligados a conflitos fundiários registrados na região pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), desde 2009, apenas 14 foram julgados.
De acordo com Muñoz, não há dados do Poder Público sobre a violência ligada às disputas pela terra na região. “Os casos de violência e ameaças estão em muitos lugares da Amazônia. E esse é um dos problemas, nenhuma autoridade federal ou estadual compila os casos”, enfatizou o pesquisador. A falta de responsabilização dos crimes começa com a forma como são conduzidas as investigações. Em vários casos, os delegados admitiram que não houve sequer autópsia dos corpos de pessoas assassinadas nesses crimes.
A situação só muda, segundo o pesquisador, quando os crimes ganham repercussão para além da região, aumentando a pressão sobre as autoridades. “Temos casos onde houve ação penal do MP, porque houve investigação da polícia, porque houve repercussão nacional. Isso mostra que é possível fazer”, destacou. O relatório aponta os índios como fator de proteção da floresta. Nas terras indígenas, muitas vezes, o desmatamento é muito menor até mesmo do que em áreas de proteção ambiental, devido ao esforço feito pelas comunidades. É justamente por isso, segundo documento, que essas pessoas são ameaçadas e mortas (ABr).

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