Setor de Serviços é o que mais sofre com ajuste do padrão de consumo

79,1% dos consumidores estão evitando comprar produtos e serviços com os quais sempre estiveram acostumados.
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O segmento de Serviços é o que mais tem sofrido com a mudança no padrão de consumo das famílias brasileiras neste momento mais agudo da crise. De modo geral, 85,9% dos brasileiros se viram obrigados a ajustar o orçamento doméstico para se defender dos efeitos do desarranjo da economia, mostra pesquisa feita pelo SPC Brasil e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Foram ouvidos consumidores de todas as capitais e cidades do interior do País
Os que deixaram de viajar são 75,5% dos consultados. As saídas com amigos para bares e restaurantes foram cortadas por 71,3% dos participantes. 56,8% dos entrevistados disseram que deixaram de gastar com produtos de beleza, 30,7% cancelaram serviços como internet e celular e 28,9% pediram o desligamento do serviço de TV por assinatura. Até mesmo os gastos com educação estão sendo cortados pelo brasileiro. 25,1% dos pesquisados abandonaram os cursos de idiomas, escolas particulares ou faculdades. Outros 25,9% deixaram de cuidar da forma física e rescindiram os contratos com as academias.
Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, a redução dos gastos com o setor de serviços não é ainda a “a maior fatia do bolo”, mas é a que mais cresce. “A inflação, os juros elevados e o desemprego pioraram a situação financeira das famílias e, muitas vezes, exigem mudanças no padrão de gastos para se readequar à nova realidade. Apesar do momento difícil, esse é uma hora propícia para desenvolver hábitos mais saudáveis e evitar desperdícios com compras desnecessárias”, orienta Marcela.
A pesquisa revela ainda que 79,1% dos consumidores consultados estão evitando comprar produtos e serviços com os quais sempre estiveram acostumados. E tem ainda os que passaram a optar por produtos de marcas mais baratas, 76,9%. A crise tem também o seu lado pedagógico. Em virtude do seu agravamento, 87% dos entrevistados pelo SPC Brasil e CNDL admitiram que agora estão dedicando mais tempo para pesquisar preços e 80,5% estão evitando comprometer sua renda com compras de calçados e roupas. O estudo ainda revela que 44,3% dos entrevistados estão com as finanças descontroladas.
É grande a porcentagem dos consumidores brasileiros (73,6%) que afirmaram, durante a pesquisa, que não imaginavam há quatro anos que o País passaria pelas dificuldades atuais. 80,1% alegam estar indignados com a situação a que chegou a economia brasileira e 71,4% disseram que estão sentindo vergonha do quadro econômico atual. Outros 63,3% afirmam sentir raiva ou estresse e 48,3%, falta de esperança (AE).

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