Queda no emprego esfria ímpeto de compras e abala ânimo do comércio

82,7% das famílias apontam que a situação da economia é ruim. Para o comércio, isso é sinal de vendas menores nos próximos meses.
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A rápida deterioração do mercado de trabalho esfriou ainda mais os ânimos dos consumidores para ir às compras, e os empresários do comércio sentem que a recuperação nas vendas não virá tão cedo. A Fundação Getulio Vargas (FGV) anunciou que tanto a confiança do comércio quanto a das famílias atingiram seus mínimos históricos, e a percepção é de que nenhuma delas se recuperará tão cedo. “A piora está vindo do mercado de trabalho. Os consumidores, principalmente da faixa de renda 1 (com ganhos até R$ 2,1 mil mensais), ainda estavam com percepção favorável, mas isso mudou este mês”, afirma a economista Viviane Seda, coordenadora da Sondagem do Consumidor.
Em junho, o comércio e os outros serviços demitiram juntos 209 mil pessoas em relação a igual mês do ano passado, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego, do IBGE. O número corresponde a cerca de 70% das dispensas no período. Ao todo, a taxa de desemprego atingiu 6,9%, a maior desde junho de 2010. “Esses setores, principalmente o comércio, geralmente têm um salário médio mais baixo, então pode ser que essas dispensas tenham influenciado o resultado da baixa renda”, conta Viviane. Em julho, a confiança da baixa renda caiu 5,4%, contra recuo de 2,3% considerando todas as faixas de rendimento.
A perspectiva ruim no mercado de trabalho significa que os gastos dos domicílios brasileiros estão mais tímidos. A intenção de compra de bens duráveis cedeu 3,5% em julho ante junho – na baixa renda, a queda foi de 9,7% neste confronto. Além disso, 82,7% das famílias apontam que a situação da economia é ruim. Para o comércio, isso é sinal de vendas menores nos próximos meses. “As expectativas estavam ensaiando recuperação, mas prevaleceu (em julho) avaliação mais objetiva das condições econômicas”, afirma o economista Silvio Sales, consultor da FGV. Neste mês, a confiança do comércio caiu 1,0%, ao menor nível da série, iniciada em março de 2010. A principal influência negativa veio justamente das expectativas para os próximos meses.
“Não há nenhuma evidência de que vai haver recuperação à frente, algo que estava presente nas avaliações em meses anteriores”, diz Sales. O economista ressaltou que 44,4% dos empresários do setor reclamam de demanda insuficiente. No setor de veículos, esse porcentual chega a 61%. “Enquanto houver essa percepção, é difícil que haja reação”, acrescenta. Nesse contexto, o indicador de emprego previsto no comércio recuou 5,7% em julho ante o mês anterior, para o segundo pior nível da série. Com essa demonstração por parte dos empresários, é possível que a lógica se “retroalimente”, salientou o consultor da FGV (AE).

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