O comércio exterior brasileiro está a reboque de ‘outras políticas’

O comercio temporario
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O resultado de superávits da balança comercial decorre das commodities (produtos agrícolas e minerais) e não de produtos manufaturados.  Foto: Rodrigo Leal/Appa

“O comércio exterior brasileiro está a reboque de outras políticas; ele não é protagonista. Ao contrário, é um mero coadjuvante”, disse o presidente da Associação do Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, ontem (16), na Confederação Nacional do Comércio, no Rio de Janeiro, ao lançar Encontro Nacional de Comércio Exterior, cujo tema será: “Desafios para um comércio exterior competitivo”. O evento vai ocorrer nos dias 15 e 16 de agosto, na capital fluminense.
Castro afirmou que o resultado de superávits da balança comercial decorre das commodities (produtos agrícolas e minerais) e não de produtos manufaturados. E que as exportações de manufaturados que o Brasil apresenta nos últimos três anos são menores do que aquelas que o país teve em 2007. E a expectativa para 2018 é a mesma. A guerra comercial no mercado internacional vai afetar as commodities, o que sinaliza que o Brasil deverá ter um volume menor de exportação e também de importação, em função da revisão do PIB no mercado interno.
Castro reiterou que o comércio exterior do país carece de uma política específica e de uma integração entre todos os ministérios, mostrando a real importância desse segmento para a economia. “Nós estamos estacionados no 25º lugar entre os maiores países exportadores e não saímos desse lugar. Quem é a sétima ou oitava economia mundial não pode se contentar com uma 25ª posição”, disse Castro. Ele acredita que o Enaex será o ambiente para que ministros de Estado se reúnam com entidades e empresários do setor e percebam a importância do comércio exterior para o Brasil.
Para ele, o comércio exterior é uma forma estratégica de se compensar mercados distintos em eventuais épocas de crise e, ao mesmo tempo, se inserir no mundo comercial, porque o Brasil está fora das cadeias globais de valor. O Brasil precisa alcançar mercados maiores e mais atrativos, apontou e ainda brincou que o futuro do Brasil é o passado. Que é preciso retornar a patamares de 2011, quando as exportações brasileiras atingiram US$ 256 bilhões, ou de 2007, quando somente as exportações de manufaturados alcançaram US$ 92 bilhões (ABr).

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