
A alta dos juros e o cenário internacional de guerras preocupam, mas a Black Friday e o Natal animam expectativas para o 2º semestre
Redação
Uma feira B2B, com mais de 1000 expositores nacionais e estrangeiros e expectativa de 40 mil visitantes para conhecer as novidades do setor eletroeletrônico (responsável pela geração de 3,5% do PIB brasileiro), reunindo fabricantes e varejistas foi o perfil da Eletrolar Show 2025, realizada de segunda a quinta-feira desta semana em São Paulo. Segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), 2024 foi o melhor ano da história para o setor, que faturou R$ 118 milhões, com crescimento registrado de 29% sobre o período anterior. No pódio aparecem os aparelhos de ar condicionado e ventiladores. Para este ano ainda existem incertezas, com portáteis recuando 6% nos primeiros cinco meses do ano (comparados a igual período do ano passado), por exemplo. Mas o tom otimista foi deixado por Carlos Clur, presidente da Eletrolar, a exemplo de seu homólogo, Juan Pablo de Vera, presidente da primeira 1ª Feira de Mobilidade Elétrica, a Eletrocar, ocorrida no mesmo pavilhão, com bicicletas, motos, carros e vans elétricos.
Do Palácio de Exposições do Anhembi do século passado ao Distrito do Anhembi de hoje vai uma distância no tempo, em que verdadeiras multidões esperavam para ver as novidades em panelas antiaderentes, lançamento de TVs estéreo e do revolucionário CD (Compact Disc), que substituiria os bolachões (discos de vinil) das clássicas vitrolas. Esse lapso de tempo, no entanto, marca também a forma de comprar. A Eletrolar, que parece a UD (Feira de Utilidades Domésticas) do Século XXI, é feita no formato B2B (vendas e negócios dos fabricantes com varejistas), ao contrário da outra, no tradicional B2C (voltada ao chamado consumidor final) — um modelo que não se descarta proximamente, já que o consumidor moderno não vive só de marketplace.


Para Carlos Clur, além da “integração de fornecedores e varejistas do Brasil, México e Argentina”, a feira deste ano trouxe representantes de outros países, sobretudo da China – de louças a automóveis, passando por diversas utilidades domésticas. Suppliers (fornecedores) de máquinas e equipamentos deverão comparecer de forma evidente no próximo ano, diz o presidente da Eletrolar que primeiro pensou em integrar América Latina e agora já está de olho na Ásia, Europa e Estados Unidos. A feira, que saiu do Transamérica para buscar mais espaço físico, fez sua estreia no Distrito Anhembi.
Segundo Semestre
Na visão da Eletros, o segundo semestre do ano, com a Black Friday e o Natal, prometem melhor resultado para o setor. “O varejo está muito estocado e precisamos de parcerias para equilibrar isso tudo”, diz José Jorge do Nascimento, que se mostra preocupado com a “alta taxa de juros interna, as guerras no cenário internacional, encarecendo o aço e os plásticos, desde já, além do desafio de crescer sobre uma base forte que tivemos em 2024”.
Somente nos primeiros cinco meses do ano, foram vendidas 2,8 milhões de unidades de aparelhos de ar condicionado (crescimento de 21% sobre igual período do ano passado), mas para o segundo semestre podem faltar insumos. Cabe destacar que somente 17% dos lares brasileiros possuem ar condicionado (majoritariamente classes sociais A e B). A produção anual média desses aparelhos é de um milhão de unidades, do modelo de janela, e de 1,9 milhão do modelo Split. Já as TVs (chamada linha marrom) vendem a média anual de 5,7 milhões de unidades, com picos em anos de Copa do Mundo.
Se vier para o Brasil mais um ou dois fabricantes de compressores para ar condicionado, por exemplo (o que o setor negocia com o governo), a produção/vendas de ar condicionado poderão crescer mais, no final de 2025 e durante 2026. Já Mateus Rabelo, da NielsenIQ, também se mostra otimista, revelando que a cesta básica de eletroeletrônicos cresceu 4% no primeiro quadrimestre do ano (comparada ao mesmo período de 2024), gerando um volume de R$ 59 bilhões.
Em produtos comercializados, as caixas de som cresceram 57%; os tablets 29%; lava-louças 50% e aspiradores 11%. “Este último Dia das Mães mostrou crescimento de 7% em unidades da cesta, e +15% em faturamento, sobre o mesmo Dia do ano passado”, comenta Rabelo.

Segurança Residencial
O mercado global de segurança residencial deverá atingir US$ 84 bilhões até 2027, crescendo a uma taxa anual de 8,2% entre 2022 e 2027, diz a consultoria MarketsandMarkets. No Brasil, o setor também apresenta forte expansão, impulsionado pelo aumento da demanda por soluções inteligentes e pela maior preocupação com a proteção doméstica. Reforçando esse argumento, estiveram vários fabricantes e representantes de tais produtos e sistemas na Eletrolar25, permitindo monitoramento em tempo real, gerenciamento remoto e até mudanças automáticas de tom de voz (de uma criança, ou mulher, para perfil masculino, visando a segurança, no interfone). Estandes da Atlas Antifurto, Jwcom Smart, Wei Import, Durawell, EFL, Joog, Ezviz Brasil e Elsys marcaram presença no evento.
Empresas&Negócios passou pelo estande da chinesa Ezviz, que trouxe portfólio completo de soluções, sob o tema “Home Intelligence Made Easy”. Entre as soluções apresentadas estava o Ezviz Connect, combinando segurança, automação inteligente e integração com assistentes como Google, Amazon e Apple. A demanda por câmeras, fechaduras inteligentes, sensores ambientais e automação preditiva segue em alta.
Nos lançamentos, destaque para as câmeras H80x e H9c Dual, equipadas com lente dupla, campo de visão expandido e sensores que garantem imagem colorida até mesmo no escuro. Graças aos algoritmos de Inteligência Artificial, esses modelos conseguem identificar com precisão pessoas, veículos e movimentos suspeitos, emitindo alertas inteligentes e praticamente eliminando os falsos alarmes.

A fechadura DL50FVS, com tecnologia de reconhecimento facial, oferece alto nível de segurança, reunindo segurança biométrica, praticidade e design sofisticado, visando a combinação com múltiplos estilos de residência.
Segundo a Associação Brasileira de Segurança (ABSEG), a adoção de tecnologias de reconhecimento facial cresceu 35% no Brasil em 2024, refletindo a busca por soluções mais eficientes e seguras, destacando que “fabricantes têm investido em camadas robustas de cibersegurança, como criptografia avançada e autenticação multifator”.
Laboratório Completo
De uma máquina de cortar e aplicar película em celulares a um Laboratório Completo para montar uma Assistência Técnica para celulares/relógios/tablets, ao lado de outros itens miúdos, a Devia (marca inglesa, presente em 140 países) apresentou ao público visitante seus 1.500 itens comercializáveis. O laboratório, de R$ 50 mil, foi o maior, certamente.
Para una bella pizza napoletana a argentina Morelli levou a solução: fogões de inox, com puxadores de aço e forno que chega a 400º C e se mantém, graças `a pedra refratária em seu interior. Uma tecnologia italiana (ou “napolitana”, como os nativos gostam de frisar) que é novidade no Brasil. De olho em nosso mercado, a Morelli (fundada na Argentina em 1930, por um napolitano que fabricava ferramentas e depois fogões) lança seus produtos na Eletrolar25. São fogões que variam entre R$ 6 mil e R$ 35 mil, voltados para, no máximo, 10% da população brasileira.
Eletrocar mostra novidades em mobilidade elétrica
Integrada à Eletrolar, a “car” ocupou 5% da área total no Distrito Anhembi
Em sua primeira edição, a Eletrocar trouxe o que há de novidades no mercado e, melhor ainda, está chegando ao Brasil. Foram mais de 20 marcas representadas neste evento que, desde já, promete triplicar para o ano que vem. “Hoje é um dia especial. Estamos dando o primeiro passo para integrar a indústria da eletromobilidade ao ecossistema de eletrônicos de consumo”, festejou Juan Pablo de Vera, presidente da Eletrocar Show25.
“A ideia é fomentar negócios, abrir novos canais comerciais e oferecer um ambiente de networking estratégico para que a mobilidade elétrica possa realmente decolar no país. Queremos impulsionar a indústria, as vendas e a infraestrutura necessária para dar suporte a essa tecnologia que veio para ficar”, enfatiza Juan Pablo.
BIKES

A Inow Brasil, importadora de produtos chineses há dois anos (somente com guidão e rodas para montar aqui), mostrou seus novos produtos, como a bike elétrica com 60 km de autonomia e tempo de recarga de 7 horas. De acordo com Erasmo Jr e Helena Chiarin, esta bicicleta só pedirá revisão a cada 700 km rodados.
O motor pode ser acionado, ou não, deixando o pedal e suas 7 marchas para quem preferir. A Inow vende hoje uma média de 2.900 unidades/mês, ao custo unitário e R$ 10 mil. A garantia é de um ano.
CARROS

Entre os carros apresentados estiveram o SUV Haval e o recém-lançado Tank 300 (com pinta de jipe), além do Ora 03. Todos da GWM, uma das chinesinhas novatas na paisagem brasileira.
A Lecar, empresa nacional, montou um espaço ufanista com a bandeira nacional e a cara do presidente no telão do estande, apresentando o Lecar 459, coupé híbrido.
Além dos estandes da WEG e da Kamai, que apresentaram carregadores para as linhas de veículos elétricos e híbridos plug-in, ocorreu o lançamento da Farizon com duas versõs de vans.
VANS

A Farizon, marca do Grupo Geely (chinês, também controlador da Volvo), que estará representada na parceria local com o grupo Rodoparaná e Timber Grupo, lançou as versões V6E e Super Van na feira. A primeira é uma camionete baú de 5 m de comprimento, com capacidade de carga de até 6 m³. Seu motor é de 100 Kw (equivalente a 136 cv) e velocidade de 110 km/h. Autonomia da bateria é de 285 km.
Já o modelo Super Van é de médio porte, com capacidade de 8m³ (ou, alternativamente, de 11 m³) e potência de 170 Kw (231 cv). Ambos têm ar condicionado de fábrica e controle de estabilidade. Serão importadas 500 unidades inicialmente — devendo chegar em setembro. Os preços não estão anunciados, oficialmente, mas serão bem menores que seus concorrentes da Ford e pouco abaixo da equivalente da Mercedes.
PRÊMIO MOBILIDADE LIMPA
Em meio a tantas novidades, tivemos a 3ª edição do Prêmio Mobilidade Limpa. A Agência Autoinforme, promotora e organizadora do prêmio, divulgou os resultados dos automóveis e comerciais leves com os melhores índices de consumo energético (MJ/km), durante o segundo dia da Eletrocar Show25.
Foram reconhecidas 24 marcas e 80 modelos premiados em diversas categorias. O modelo campeão geral foi o Dolphin Mini Entrada Elétrico, da BYD, com 0,41 MJ/km.




