Meirelles: há uma retomada da confiança da sociedade no desempenho econômico

Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, durante palestra a empresários sobre “A retomada do crescimento da economia brasileira”, em evento realizado pelo Lide, em São Paulo, ontem (19).
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O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou ontem (19) que os governos estaduais também precisam fazer ajustes nas despesas públicas e não esperar ajuda da União. “O problema é quando o governador vê na União a solução do seu problema”, enfatizou o ministro da Fazenda, ao falar sobre o ajuste fiscal na Fiesp. Para ele, se o governo federal socorrer as unidades da federação, a crise econômica pode se agravar. “Temos que tomar cuidado para não matar o paciente tentando tratá-lo. Os estados têm que ajustar a despesa, como a União está fazendo”, acrescentou.
Questionado pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, sobre os planos para os juros e o câmbio, Meirelles defendeu a autonomia do Banco Central. “Juros e câmbio é com Banco Central. Ministro da Fazenda não deve dizer o que o Banco Central deve fazer, principalmente em público”, disse Meirelles, que presidiu a autoridade monetária entre 2003 e 2010. “Ministro da Fazenda dizendo o que Banco Central deve fazer sobre juros e câmbio sempre atrapalhou muito. Pelo menos essa foi minha experiência lá”, completou arrancando risadas dos empresários que assistiam à palestra.
Meirelles disse ainda que, “claramente”, há uma retomada da confiança da sociedade no desempenho econômico. Segundo o ministro, nos últimos anos, de 2011 a 2016, os indicadores que medem o humor e as perspectivas de empresários e consumidores estiveram em queda contínua, tendência que se inverteu agora. “Os empresários e consumidores têm consciência de que estamos na direção certa”, ressaltou.
Ao defender a proposta que limita a expansão dos gastos públicos, Meirelles destacou sua importância a longo prazo. “A primeira coisa é dar um sinal para a sociedade de que as despesas públicas serão controladas. A segunda é dar um horizonte de previsibilidade”. O limite para o crescimento de despesas não significa fazer cortes nos investimentos em saúde e educação. “Elas terão apenas uma manutenção em termos reais”, disse, lembrando que os recursos destinados a essas áreas serão mantidos nos patamares atuais e reajustados pela inflação ao longo dos próximos anos.
Para Meirelles, as discussões sobre educação precisam passar a focar na gestão do dinheiro disponível, e não na destinação de mais recursos para a área. “Nós estamos sabendo que o desempenho é baixo e que o efeito da capacitação dos estudantes não está acontecendo”, afirmou o ministro sobre a qualidade do ensino no país (ABr).

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