Levy: tarifas “realistas” são fundamentais para orientar a economia

Para Levy, com a prática de preços realistas, as empresas serão obrigadas a ter a produtividade como meta.
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O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em almoço com empresários na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, afirmou que os preços relativos da economia brasileira têm se adaptado, incluindo o câmbio, que sofreu grande desvalorização neste início de 2015. Ele defendeu as medidas como importantes para o ajuste da economia. “Estamos no momento em que temos enormes oportunidades. São desafios, mas oportunidades. E o governo certamente tem tomado medidas para isso (vencer desafio). Houve realinhamento de preços, o que não é fácil, mas o governo fez”, disse.
Além disso, o ministro reconheceu que, na conjuntura atual, o mercado de trabalho desacelerou. O desafio, neste contexto, é recolocar o País em uma trajetória de criação de empregos. “Poucas economias têm as vantagens do Brasil, nossa demografia é favorável. Numa situação um pouco menos fácil, a gente tem de se organizar. A criação de empregos é um dos principais desafios”, disse Levy, para quem o Banco Central tem que permanecer vigilante, pois há uma tendência de subida de preços.
O ministro ainda reconheceu que a relação da dívida com o PIB voltou a subir desde 2012, “em particular no ano passado”. “Nossa dívida é alta comparada à de vizinhos”, disse. Segundo ele, o ano passado foi atípico no que diz respeito ao déficit primário. Agora, o governo trabalha para promover mudanças estruturais que, por fim, contribuam com a geração de emprego e com a melhora da conta previdenciária. A adoção de tarifas “realistas” é fundamental para orientar a economia, disse.
Para Levy, com a prática de preços realistas, as empresas serão obrigadas a ter a produtividade como meta e, em sua opinião, “aumentar a produtividade é extremamente importante” e garantiria, no médio prazo, a melhora dos salários.
O ministro ainda comentou que há divergência entre gastos públicos e receitas. “Houve declínio na receita federal nos últimos anos, são R$ 70 bilhões a menos, enquanto houve aumento importante de despesas”. Esse risco fiscal é um dos maiores obstáculos para as empresas e o objetivo do governo é reduzir isso. “O risco Brasil ainda é elevado”, acrescentou. A divergência, disse, também afeta a Previdência, que sofre efeito cíclico de tendência de alta na despesa e redução da receita. “O déficit da previdência é sistemático. O governo tem de prestar atenção nisso, principalmente quando há discussão sobre a desoneração da folha de pagamento”, disse Levy (AE).

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