341 views 6 mins

IR 2026: Crescimento de ativos digitais e novas regras de investimentos elevam risco de malha fina

em Manchete Principal
segunda-feira, 23 de março de 2026

Diante da expectativa de 43 milhões de declarações em 2026, a digitalização do mercado financeiro obriga o contribuinte a detalhar rendimentos antes ignorados; veja as recomendações para evitar erros no preenchimento

A Receita Federal espera receber cerca de 43 milhões de declarações do Imposto de Renda em 2026, segundo dados do próprio órgão divulgados no início do calendário fiscal, o início do prazo de envio para declaração, em 23 de março, coincide com um cenário de diversificação das carteiras de investimento. O aumento da base de investidores no país, impulsionado pela digitalização do mercado financeiro, tem elevado também a complexidade da prestação de contas.

Para Beny Fard, especialista em finanças e investimentos e CEO da DeFin Technologies, esse movimento exige maior preparo do contribuinte. “Hoje, não declarar corretamente ativos digitais ou aplicações financeiras é um dos principais gatilhos de inconsistência. A Receita já cruza essas informações com alto nível de precisão”, afirma.

Segundo dados da B3, o número de pessoas físicas na bolsa brasileira ultrapassou 5 milhões em 2025, enquanto cresce também a adesão a produtos como criptoativos, ativos tokenizados e investimentos no exterior. Esse avanço amplia o risco de erros na declaração, especialmente entre investidores menos experientes. “Muita gente ainda acredita que basta informar o saldo, mas cada tipo de ativo tem uma regra específica de tributação e declaração”, diz Fard.

Como declarar investimentos e ativos digitais – A inclusão de ativos digitais no portfólio exige atenção a campos específicos da declaração, como bens e direitos e apuração de ganho de capital. Operações com criptoativos, por exemplo, devem ser informadas mesmo quando mantidas em corretoras estrangeiras.

Segundo o especialista, o principal erro está na falta de rastreabilidade das operações. “O investidor precisa manter histórico de compra, venda e transferência. Sem isso, não consegue comprovar origem de valores nem calcular corretamente o lucro”, explica.

Entre as falhas mais frequentes estão a omissão de rendimentos, a declaração incorreta de ganhos líquidos e a ausência de informações sobre investimentos no exterior. A Receita Federal utiliza sistemas de cruzamento de dados com instituições financeiras, o que aumenta a chance de identificação de inconsistências.

“O contribuinte não pode tratar investimentos como algo isolado. Tudo precisa estar alinhado com o fluxo financeiro declarado. Se há movimentação bancária, ela precisa ter correspondência na declaração”, afirma.

Outro ponto de atenção está nos rendimentos isentos e tributáveis. Produtos como LCI e LCA, apesar de isentos de imposto, devem ser informados. Já aplicações como fundos e ações exigem detalhamento dos ganhos e prejuízos ao longo do ano.

A importância de registrar corretamente ganhos de capital – O registro de ganhos de capital é um dos aspectos mais críticos da declaração, especialmente para quem opera com frequência. Segundo Fard, erros nesse ponto costumam levar o contribuinte à malha fina.

“Não basta declarar o patrimônio final. A Receita quer entender como aquele patrimônio foi construído. O ganho de capital precisa ser apurado corretamente mês a mês, com pagamento do imposto quando devido”, diz.

Ele ressalta que o uso de ferramentas de controle e o acompanhamento contábil podem reduzir riscos. “Quem investe com regularidade precisa tratar isso como gestão financeira, não como algo eventual.”

A digitalização do mercado financeiro tem introduzido novos desafios para a fiscalização e para os contribuintes. A tokenização de ativos e a ampliação de investimentos internacionais são exemplos de tendências que já impactam a declaração.

Cuidados para evitar problemas com a Receita – O especialista recomenda organização documental, atenção às regras específicas de cada ativo e acompanhamento constante das operações realizadas ao longo do ano. A antecipação do preenchimento também pode evitar erros de última hora.
Para Fard, a principal mudança necessária é de postura. “O investidor precisa assumir uma visão mais estruturada da própria vida financeira. Declarar corretamente não é apenas uma obrigação fiscal, mas parte da gestão do patrimônio.”

Com o aumento da sofisticação dos investimentos e da fiscalização, a tendência é que a declaração do Imposto de Renda se torne cada vez mais técnica. Para o contribuinte, o desafio passa a ser acompanhar essa evolução para evitar riscos e garantir conformidade com as exigências da Receita Federal.