
A solar fotovoltaica é energia renovável em destaque, mas é preciso adequar a infraestrutura
Redação
O Brasil adicionou 18,9 gigawatts (GW) de potência da fonte solar voltaica, no ano passado. Isto fez com que o país se tornasse o quarto maior mercado (atrás da China, Estados Unidos e Índia). Em tempos de transição energética, ser protagonista na energia verde não é pouca coisa. Nos últimos 13 anos já se investiram R$ 270 bilhões, mas é preciso definir a regulamentação do setor elétrico e desenvolver os cuidados necessários para que os quase dois milhões de habitantes, de distantes localidades do país, tenham acesso à energia elétrica e um montante superior a 1.000 pessoas/ano deixe de morrer por falhas no sistema. Esses são os principais pontos discutidos, juntamente com a tecnologia de armazenamento, durante o congresso “The smarter E South America”, que se qualifica como pólo inovador latino-americano para a nova realidade energética. A Intersolar, como também é conhecida a Feira de Negócios paralela ao congresso, termina nesta quinta-feira, em São Paulo.


Ao abrir o evento na manhã do dia 26, Rodrigo Sauaia, presidente do Comitê Intersolar South America e presidente executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), afirmou que no processo de transição energética, a energia solar fotovoltaica é a grande protagonista. A seu lado estiveram representantes de entidades do setor elétrico, incluso o superintendente da Aneel, Carlos Alberto Mattar, e Lorena Perim, representando o Ministério das Minas e Energia.
O Brasil hoje tem mercado de 18,9 GW, contra 30,7 GW da Índia, 50 GW dos Estados Unidos e 329 GW da China. Pelas projeções da Absolar, a rede global tem 597 GW adicionados mas até 2030 deverá atingir 7,1 terawatt (TW). “Aliás, na COP30 teremos oportunidade de mostrar ao mundo tudo o que temos feito em termos de energia limpa e emissão dos gases de efeito estufa”, destacou Sauaia, acrescentando que o país é líder em energia renovável (com 92%, 93% da matriz). E adverte: “Se pararmos, seremos líderes até quando? É preciso investir, evoluir”.
O executivo criticou o favorecimento às energias fósseis, “que recebem subsídios de até quatro vezes e meia a maior em relação às renováveis, valendo o mesmo para o setor elétrico”. Os R$ 270 BI investidos nos últimos 13 anos geraram 1,7 milhão de empregos e precisa continuar essa expansão. Para tanto o setor conta com o Congresso Nacional, que analisa as MPs 1300/25; 1304/25; e a 1307/25. “Temos de avançar, de discutir os 80% de impostos que incidem sobre baterias para armazenamento, por exemplo, ao invés de criar novos jabutis e tartarugas”, disse o presidente da Absolar. Os cálculos apontam que as baterias apresentam retorno do investimento em cinco anos.

Já o presidente da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE) afirma que o Brasil tem perda anual de R$ 1 BI de energia não aproveitada. Markus Vlasits defende o uso de baterias, como sistema de armazenamento mais econômico para o país. De outro lado, o engenheiro eletricista João Gilberto Cunha, diretor da Mi Omega Consultoria, critica a qualidade das instalações elétricas no país. “Elas precisam ser eficientes, para proteger a vida e o patrimônio”, sublinha. Segundo ele ainda, morrem entre 3 e 4 pessoas por dia devido a acidentes elétricos no país. “O setor precisa de regulamentação urgente”, frisa.

HIDROGÊNIO
Representantes da Casa dos Ventos e da Solatio (Piauí) participaram do painel sobre Hidrogênio Verde e Sustentabilidade, ao abordar a transição energética. Em janeiro de 2029 a Solatio vai inaugurar usina com 1 GW/ano para processar hidrogênio verde e depois adicionará mais 1 GW em 2030 e 1 GW em 2031. Valendo-se dos incentivos da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Parnaíba, o foco é o mercado internacional e a Índia parece ser a maior concorrente atual.
Turbinar a infraestrutura, para criar escala, e adotar total transparência no setor de hidrogênio verde são as chaves para a vitória, concordaram os convidados do painel, que teve a mediação de Fernanda Delgado.

PLACAS SOLARES
Promoção de inversores e descontos (de 20%) em placas solares foram estratégias utilizadas pela Ourolux na Intersolar. De acordo com Bruno Felipe, gerente de marketing da companhia (que importa da China 100% dos equipamentos), a Ourolux deverá fechar o mês de setembro com um caixa de R$ 37 milhões – 60% dos quais originários da Intersolar, evento que parece valer muito a pena.
A feira teve quatro pavilhões interligados, reunindo 600 expositores, e projetava 2.800 participantes do Congresso para um total de 58 mil visitantes no total, somados os dias 26, 27 e 28 deste mês.
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