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Ajustar motores em velocidade máxima na economia, recomenda especialista

em Manchete Principal
terça-feira, 03 de junho de 2025

As incertezas poderão durar até 3 anos mais, por isso é melhor acelerar para não sossobrar

Redação

A Inteligência Artificial é a estrela nos negócios, em 2025, protagonizando a “grande revolução” que será maior do que foi a chegada da internet. O aviso foi lançado na abertura do VTEX Day por Mariano Gomes de Faria (CEO da VTEX), que advertiu sobre a volatilidade de mercados e instabilidade econômica: “A tormenta acontece e o motor precisa estar a plena velocidade, para o barco não afundar”. Em sua avaliação, os solavancos na economia mundial poderão durar mais três anos ainda. Justificando o discurso, a VTEX mostrou que faz o que prega: pé na tábua. Ano passado, a empresa atingiu a marca de R$ 1 bilhão de receita, com presença em 43 países. Somente no mercado brasileiro, a geração de caixa foi de R$ 18 BI no mesmo ano. Para este a direção não quer arriscar números de fechamento, mas mantém o foco no crescimento, abraçando agora o B2B.

Rafaela Rezende, gerente-geral da companhia no Brasil, diz que a crença de que o varejo precisava dominar todos os seus processos e tecnologias ficou para trás. “Hoje o dinheiro é caro e a eficiência precisa estar à frente dos negócios”, pontuou. Caso típico é o das Americanas que acaba de migrar para a plataforma VTEX, integrando mais de 1.500 lojas. Corroborando o que disse o CEO da VTEX, Rafaela Rezende definiu o B2B como “ouro que temos dentro de casa e que, pelo menos no contexto brasileiro, ainda foi pouco explorado”. E é para o B2B que agora esta gigante ajusta a rota. “A gente não escolhe o mar, apenas navegamos”, ilustrou Mariano de Faria, não sem antes afirmar que o Brasil é respeitado internacionalmente por empresas como a sua própria, a WEG e a Embraer. “O B2B controla entre 30% e 40% do que fazemos, mas é mercado que ainda roda fora dos holofotes. Agora decidimos liderá-lo”, revelou. Para Geraldo Thomaz, coCEO da VTEX, a receita é continuar inovando e, como disse o colega Mariano, navegar nas águas que se apresentam, sem desistir, porque os desafios são internacionais e não apenas locais.

O VTEX Day, que aconteceu em São Paulo nesta segunda (2) e terça-feira (3) últimas, é considerado o maior evento de tecnologia, inovação e comércio digital na América Latina e um dos maiores no mundo, reunindo 50 mil pessoas em dois dias. A VTEX, empresa brasileira nascida em 2000, fez IPO (abertura de capital) na Bolsa de Nova York em 2021 e vai se firmando neste cenário e projetando novidades. Para o próximo ano já teve spoiler: em 2026 o evento será “Cidade VTEX Day”, com visitação virtual nos estandes, praça e um belo estádio ora sendo projetado. Projeção é de crescimento entre 14% e 17%.

Os estandes estiveram muito bem visitados, com destaques para as empresas consolidadas como AWS, Linx, iFood, Shopee, Mercado Pago e Magalu, entre outras. Quem passou por lá pode assistir a várias palestras, em palcos cuidadosamente montados, como a da esperada atriz e ativista Viola Davis, que escreveu “Em busca de mim”, e Shane Parrish, fundador da plataforma Fernan Street, que promove e amplia o pensamento crítico. É autor de “Os Grandes Modelos Mentais”, entre outros.

EMPRESAS / LANÇAMENTOS

ClearSale: Riscos e Fraudes

Focada na prevenção de riscos e fraudes, a ClearSale marcou presença no evento, com um concorrido estande. A empresa, adquirida pela Serasa Experien em outubro de 24, evitou fraudes da ordem de R$ 70 BI no ano passado, reforçando o papel estratégico no fortalecimento do ecossistema transacional e na proteção de operações digitais de ponta a ponta. Durante a feira, clientes e interessados puderam conhecer as variadas soluções em prevenção de riscos e fraudes no e-commerce e em ambientes omnichannel, destacando sua experiência em dados, inteligência artificial e tomada de decisão em larga escala.

De acordo com Marcelo Queiroz, Head de Inovação, depois da fusão a Serasa passou a ter o melhor portfólio de gestão de riscos e soluções antifraudes, agrupando a base de dados. A sofisticação da engenharia de software contrasta com a operacionalidade, pois o sistema é criado para funcionar “com apenas um clique”, diz ele. Com uma carteira de 100 milhões de usuários, a Serasa recebe 25 milhões de acessos/mês e a sistemática de “um clique” vai ajudar uma enormidade.

Getnet: integração com 9 países

Empresa do Grupo PagoNxt (controlado pelo banco espanhol Santander), a Getnet mostrou a expansão do seu produto (maquininha de recebimentos) integrada agora a 9 países.

Luciano Ferrari

A plataforma Getnet pode ser acessada normalmente via Brasil, México, Chile ou Argentina (Single Entry Point) e, breve, por Portugal e Espanha e mais 3 lationoamericanos. De acordo com Luciano Ferrari, VP Comercial, antes os clientes precisavam acessar um país de cada vez, agora com a integração de sistemas se diminuirá tempo e custos operacionais.

Até o final do ano vem mais uma novidade, uma ferramenta física (DCC – Dynamic Currency Conversion)  para atender turistas de negócios, que poderão pagar em moeda do país de origem.

Intelipost: Logística em alta

Com a proposta de operacionalizar os dados em primeiro lugar, a Intelipost se reposiciona no mercado, lançando o Módulo Adicional de sua plataforma. Reportagem de Empresas & Negócios foi recebida no estande por Heinz Falkenburg, VP de Operações, e Anita Bataglin, diretora de Marketing, e ouviu deles a estratégia de reposicionamento, com o novo produto no mercado, focado em transportes. A plataforma trabalha com logística (modal), tendo a movimentação rodoviária e, depois, a aérea em maior escala. A companhia atende o Brasil e a operação da Renner Uruguai, no país vizinho.

A plataforma oferece melhor performance e, com isso, redução de investimentos. Para sintetizar, o produto se apresenta estruturado em 3 pontos: 1) Aumento de Vendas; 2) Redução de Custos; 3) Melhoria da Experiência do Consumidor. “A barra hoje está cada vez mais alta, por isso precisamos de inovação”, comenta Falkenburg, lembrando que hoje atendem 120 milhões de pedidos/ano, com uma base de 750 clientes. “Entre compra,  despacho e recebimento, a média internacional é de 2 dias; no Brasil esse tempo dura entre 3 e 8”, aduz Anita.

“Onde está meu pedido agora?” – De acordo com a Intelipost, 80% das ligações fazem esta pergunta. Portanto, ainda há muito espaço para crescer, tendo como espelho a China, que dá um verdadeiro olé mundo afora.      

Jitterbit : Low Code

Fazer conexões mais rápidas a um custo menor. Esta é a proposta da Jitterbit, que tem, entre outros clientes, Electrolux, Americanas e BTG. ‘Não é razoável uma empresa partir do zero, montando estrutura, contratando programador, analista etc… se a gente oferece o sistema pronto, low code”, diz Lucas Felisberto, VP para a América Latina.

A empresa não abre faturamento, afirmando que é “alguma centena de milhões de dólares” que movimenta os negócios entre seus 150 clientes. Destes, apenas 5% estão no mercado internacional pois é no Brasil sua base majoritariamente maior. O iPass é o carro-chefe e a plataforma trabalha com I.A. integrada. 

Inter: Taxa zero

O Inter anunciou o lançamento de sua maquininha de cartão “Inter Pag”, com taxa zero. Clientes PJ que solicitarem o equipamento terão isenção total de taxas sobre todas as vendas realizadas durante um ano, aumentando o faturamento e, consequentemente, o lucro do negócio, informa a instituição.

Pela nova maquininha, com taxa zero, empreendedores terão a possibilidade de receber todas as vendas feitas com cartões de débito ou crédito e também com o Pix sem descontos durante um ano. Ela poderá ser solicitada mediante aluguel de 12 parcelas mensais a partir de R$ 59,90, a depender do modelo do equipamento, e isenção do valor a partir do 13º mês.

“Com essa condição, a maquininha Inter Pag passa a ser a melhor alternativa do mercado especialmente para as pequenas e médias empresas. Queremos encantar e fidelizar o público empreendedor, aumentando a principalidade bancária no PJ e crescendo Market share, tanto da conta digital para empresas quanto de adquirência”, afirma o CEO Brasil do Inter, Alexandre Riccio.