O destino do e-commerce no Brasil e o que esperar para o próximo ano

Gabriel Lima (*)

Diante um ano complicado para os negócios de todos os setores, o mercado que pode ser considerado como o que mais cresceu, foi o comércio eletrônico. Podemos citar os e-commerces e os marketplaces que tiveram um crescimento de 56,8% até agosto deste ano, segundo dados de um recente relatório divulgado pela Compre&Confie.

Esse resultado aponta como os consumidores estão cada vez mais confiantes em realizar compras online, cenário bom para os negócios digitais e garante um maior crescimento para 2021. É possível citar que temos uma avaliação muito positiva, e o e-commerce tem movimentando de modo geral a economia do país ao longo dessa pandemia. Durante o ano de 2020 vimos esse crescimento com os 75 clientes que a Enext possui, que cresceram em média 220% comparado ao ano passado.

Para obter esse resultado os líderes digitais investiram e transformaram seus canais, que antes era apenas estratégico, em essencial para os consumidores. E aqueles e-commerces que antes já investiam completamente nas vendas digitais e na integração de canais, antes da crise, conseguiram se adaptar rapidamente e tiveram resultados repentinos no crescimento de suas vendas.

Além disso, durante esse ano, a participação do e-commerce no Brasil chegou nos mesmo patamares de 10-12% das vendas totais do varejo em em relação a mercados mais maduros na América do Norte, Europa e Ásia. É possível ter essa projeção de crescimento mesmo com o mundo pós-pandemia. Uma breve análise feita na carteira de clientes da Enext é possível analisar que entre 25-35% dos consumidores nunca haviam realizado compras online, seja por falta de conhecimento do canal ou por falta de confiança.

Após boas experiências de compra, esse consumidores não devem abandonar esse novo comportamento, pois as compras online são excelentes do ponto de vista de conveniência para o consumidor, elas reduzem o atrito e fazem com que os clientes economizem um recurso precioso: o tempo. Para manter este crescimento é importante os negócios digitais manterem os investimentos nos canais para que a performance seja positiva.

No Brasil, por mais que esteja em um ritmo acelerado neste quesito, existem ainda muitas dificuldades de expansão no comércio eletrônico do país que podem retardar um maior avanço no setor, são elas: deficiências logísticas, falta de mão de obra capacitada e solavancos econômicos. O governo vem tentando privatizar os correios, e as grandes empresas de e-commerce estão se preparando para reduzir de forma significativa sua dependência da estatal.

Cada dia que passa ela perderá mais valor até se tornar irrelevante. Por conta disso, existem muitas oportunidades para pequenas e médias empresas de logística e transporte de crescerem além de uma re-significação do ponto comercial. Outro fator é a falta de mão de obra qualificada. Em recente estudo da Brasscom (Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação), até 2024 a procura por profissionais de TI será de 420 mil pessoas, e o país historicamente forma poucos profissionais de tecnologia e ciências exatas.

Podemos ter um apagão de conhecimento disponível e retardar o avanço da economia digital. Por fim, nossa trajetória econômica pode ajudar na desaceleração do crescimento. Apesar da baixa correlação vista até agora neste mercado, a manutenção de crescimentos consistentes por longos períodos também dependem de fatores macroeconômicos.

(*) – É CEO e fundador da Enext, consultoria especializada em comércio eletrônico do grupo WPP (https://enext.com.br/).

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