
Análise da Seconds Tecnologia aponta categorias mais sensíveis a preço, avanço da comparação entre marketplaces e varejo físico e novos desafios para quem compra e vende no ambiente digital
O início do ano tradicionalmente vem acompanhado de ajustes econômicos que impactam diretamente o orçamento das famílias brasileiras. Reajustes de mensalidades, tributos, serviços essenciais e custos logísticos se somam a um cenário de inflação ainda presente, afetando de forma clara o poder de compra, especialmente no ambiente digital, onde a sensibilidade a preço é imediata e mensurável.
Nos marketplaces, esse movimento se reflete de maneira direta no carrinho online. A busca por preços mais baixos, cupons e frete competitivo se intensifica, ao mesmo tempo em que o consumidor passa a comparar não apenas vendedores dentro da mesma plataforma, mas também o marketplace com o varejo físico tradicional.
“Quando o orçamento aperta, o consumidor muda o comportamento quase instantaneamente. Ele pesquisa mais, abandona carrinhos com mais facilidade e passa a priorizar itens essenciais ou de maior custo-benefício”, avalia Thiago Trincas, CEO da Seconds Tecnologia, empresa especializada na gestão estratégica de anunciantes em marketplaces.
Categorias mais sensíveis sentem primeiro o impacto – Entre as categorias mais afetadas pela inflação estão eletrodomésticos, eletrônicos, moda e itens para o lar, produtos considerados adiáveis em momentos de maior cautela financeira. Já segmentos como alimentos, higiene, limpeza e itens de reposição tendem a manter volume, mas com tíquete médio mais controlado e maior migração para marcas alternativas.
“O consumidor não deixa de comprar, mas muda o modo como compra. Troca marcas, espera promoções e avalia com muito mais rigor se aquele produto realmente cabe no orçamento do mês”, explica Trincas. Segundo ele, esse comportamento exige dos sellers uma leitura mais refinada de preço, margem e posicionamento dentro das plataformas.
Marketplaces ganham força frente ao varejo físico – Em um cenário inflacionário, os marketplaces seguem ganhando relevância frente ao varejo físico por concentrarem variedade, comparação instantânea de preços e, muitas vezes, melhores condições logísticas. Ainda assim, a disputa está mais acirrada.
“O marketplace deixou de ser apenas uma vitrine digital. Hoje, ele é um termômetro do poder de compra da população. Pequenas variações de preço já são suficientes para deslocar a demanda de um vendedor para outro, ou até para fora do ambiente online”, destaca o CEO.
Para os lojistas, isso significa um desafio duplo: manter competitividade sem comprometer a rentabilidade. Estratégias baseadas apenas em desconto tendem a ser menos sustentáveis em um cenário de custos elevados.
Estratégia, dados e eficiência como resposta – Na avaliação da Seconds Tecnologia, o momento exige mais inteligência de dados, ajustes dinâmicos de campanha e uma gestão integrada entre preço, mídia e operação. Entender o comportamento do consumidor em tempo real passa a ser um diferencial competitivo.
“Não é mais sobre vender mais a qualquer custo, mas sobre vender melhor. Em períodos de inflação, quem domina dados, entende o funil e ajusta rápido sai na frente”, afirma Trincas.
Para o consumidor, o cenário reforça o papel do marketplace como aliado na busca por economia. Para quem vende, o início do ano deixa claro que eficiência, estratégia e leitura de mercado não são opcionais, mas fundamentais para atravessar um período em que cada centavo conta, tanto no bolso de quem compra quanto na margem de quem vende.




