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Aos 18, ela apostou R$ 60 mil; hoje lidera um negócio presente em todo o Brasil

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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Karine Strapazzon mostra como visão estratégica, capacidade de adaptação e liderança impulsionaram uma empresa que completa 17 anos com mais de 1.100 pontos de venda

Empreender no Brasil nunca foi simples. Para as mulheres, o desafio costuma ser ainda maior: além de abrir e manter um negócio, muitas precisam conciliar a liderança da empresa com a maternidade, a gestão da casa e a constante necessidade de provar competência em ambientes historicamente masculinos.

Os números mostram que essa realidade vem mudando. Hoje, as mulheres representam cerca de 34% dos empreendedores brasileiros, segundo o Sebrae, e mais de 10 milhões de brasileiras estão à frente do próprio negócio. Grande parte delas começou a empreender por oportunidade, transformando conhecimento técnico e experiências pessoais em empresas capazes de gerar emprego, renda e inovação.

É nesse cenário que a história da Arsie ganha relevância. Neste mês, a marca de beachwear completa 17 anos e celebra uma trajetória que começou quando Karine Strapazzon tinha apenas 18, investindo R$ 60 mil economizados pela família para comprar máquinas de costura e produzir sua primeira coleção.

Sem experiência empresarial, investidores ou linhas de crédito, Karine apostou em uma necessidade que conhecia profundamente: criar biquínis para mulheres reais.

“Eu nunca tive um corpo padrão e sentia falta de biquínis que me valorizassem. A Arsie nasceu desse desejo de criar modelos que trouxessem beleza, conforto e confiança para todas as mulheres.”
Dezessete anos depois, aquela pequena operação se transformou em uma empresa presente em mais de 1.100 pontos de venda, com fábrica própria em Guaporé (RS), capacidade produtiva de 800 mil peças por ano e expansão para mercados como Paraguai, Bolívia e Caribe.

O empreendedorismo feminino deixou de ser exceção
Durante muito tempo, o empreendedorismo feminino foi associado à necessidade financeira. Hoje, especialistas observam um movimento diferente: mulheres criam empresas a partir de propósito, inovação e identificação de lacunas de mercado.

No caso da Arsie, a oportunidade surgiu justamente da ausência de representatividade no beachwear. Enquanto o setor priorizava um único padrão estético, Karine enxergou valor em desenvolver modelagens inclusivas, com conforto, sustentação e uma grade que vai do P ao 52, sem separar visualmente linhas slim e plus size.

Para ela, essa leitura do consumidor é uma das maiores competências de quem empreende.

“A gente costuma achar que empreender é ter uma grande ideia, mas, na prática, é aprender a observar pessoas. Muitas das nossas melhores decisões nasceram da escuta das mulheres e não de tendências de mercado”, afirma Karine.

Liderar também muda quando a mulher se torna mãe
Se abrir uma empresa já exige reinvenção constante, tornar-se mãe adiciona uma nova camada à liderança feminina. Diversos estudos sobre mercado de trabalho mostram que a maternidade ainda impacta diretamente a carreira das mulheres, seja pela redução de oportunidades, pela sobrecarga de cuidados ou pela necessidade de reorganizar completamente a rotina profissional.

Karine afirma que viver a maternidade transformou também sua forma de gerir pessoas e tomar decisões.

“Depois que me tornei mãe, deixei de acreditar que liderança é estar em todos os lugares o tempo inteiro. Passei a construir uma equipe forte, delegar mais e entender que crescer também significa confiar nas pessoas.”

Segundo ela, a maternidade não diminuiu sua ambição empresarial — apenas mudou a maneira de alcançá-la.

“Hoje eu sou uma empresária mais estratégica. Aprendi que produtividade não é trabalhar mais horas, mas tomar decisões melhores.”

Crescer sem perder identidade
Em um mercado altamente sazonal como o da moda praia, sobreviver por 17 anos talvez seja tão significativo quanto crescer. Em 2024, a Arsie encerrou sua operação de lingerie para concentrar 100% dos investimentos no beachwear, movimento acompanhado por um rebranding completo e pela ampliação das linhas masculina, teen e de natação.

A decisão reflete uma característica comum às empresas lideradas por mulheres que alcançam longevidade: a capacidade de adaptar o negócio sem abandonar seu propósito.

Hoje, além da presença nacional, a marca projeta aumentar o faturamento em 15%, chegar aos 27 estados brasileiros e ampliar sua atuação na América Latina.

Um legado que vai além da moda
Ao completar 17 anos, a Arsie celebra um marco empresarial, mas também uma transformação no próprio significado de empreender. O negócio criado por uma jovem de 18 anos deixou de vender apenas moda praia para construir uma marca baseada em autoestima, inclusão e inovação.
Para Karine, o maior resultado não está apenas no número de peças produzidas ou nos pontos de venda conquistados.

“Quando olho para esses 17 anos, vejo muito mais do que uma empresa que cresceu. Vejo mulheres que construíram essa história comigo. Temos colaboradoras que estão na fábrica há mais de 10 anos, que entraram jovens, formaram suas famílias, cresceram profissionalmente e seguem fazendo parte da Arsie. Esse é, talvez, o nosso maior patrimônio. Empreender nunca foi sobre criar o negócio perfeito, mas sobre construir algo que faça sentido para as pessoas — para quem veste a marca e para quem ajuda a produzi-la todos os dias”, completou Karine.