ISSN: 2595-8410 Contato: (11) 3043-4171

Dados em rótulo podem salvar vida de alérgico

Norma determinando que embalagens contenham aviso sobre a presença de ingredientes com maior potencial de causar reações deve ser implantada até julho e pode virar lei

Rafael Carvalho/Agência Senado

Para a maioria dos alimentos embalados, a rotulagem é o principal meio de informação sobre a presença de alergênicos.

Aline Guedes/Ag. Senado/Especial Cidadania

Urticária, inchaço, coceira, eczema, dor abdominal ou até mesmo comprometimento de órgãos. Quem sofre de alergia alimentar conhece bem esses sintomas. E enfrenta diariamente os riscos decorrentes da falta de uma legislação que obrigue os fabricantes de alimentos a expor nos rótulos dos produtos a presença de alérgenos.

O problema poderá, contudo, ser minimizado a partir de julho, quando termina o prazo para a adequação da rotulagem a uma norma da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e futuramente com a eventual aprovação de um projeto de lei que tramita no Senado.

A mobilização em favor da regulamentação é liderada pela associação de defesa dos direitos dos consumidores Proteste e pela equipe da campanha Põe no Rótulo. A campanha foi criada em fevereiro de 2014 por famílias brasileiras de alérgicos alimentares que se uniram pela internet para reivindicar o direito à informação. A iniciativa teve adesão de mais de 100 mil pessoas e o apoio de famosos como o ator Mateus Solano, o ex-jogador Zico e a cantora Paula Toller.

Foi a pressão desses movimentos que levou a Anvisa a aprovar, em junho de 2015, norma determinando que indústrias de alimentos e bebidas coloquem aviso nos rótulos de seus produtos sobre a presença de ingredientes com maior potencial de causar alergias.

A regra também prevê que as empresas informem a possibilidade de contaminação dos alimentos, durante a fabricação, por produtos não previstos. Isso pode ocorrer, por exemplo, quando um biscoito que não contém amendoim é processado na mesma máquina que fabrica outro produto com essa leguminosa. O alerta de que o biscoito “pode conter traços de amendoim” deve estar estampado em negrito, logo após a lista de ingredientes.

mat02 24 05 2016 temporarioIntolerância
Antes da norma da Anvisa, a legislação determinava apenas que as empresas informassem a lista de ingredientes e a eventual presença de glúten. No entanto, doença celíaca (ou outro tipo de intolerância ao glúten) e intolerância à lactose não são consideradas alergias alimentares. O consultor do Senado Denis Murahovschi explica que pessoas com alergias podem desenvolver reações graves a alimentos que são consumidos de forma segura pela maior parte da população, mesmo quando ingeridos em pequenas quantidades.

— Indivíduos com alergia ao leite podem desenvolver complicações graves, como choque anafilático [reação com risco de morte], ao consumirem pequenas quantidades desse produto, enquanto pessoas com intolerância à lactose suportam quantidades bem maiores — destaca.

Nos casos mais graves, os malefícios aparecem pouco tempo após o contato com o alimento. Em outros, podem levar dias para surgir. No Brasil, o problema atinge entre 6% e 8% das crianças com menos de 3 anos e de 2% a 3% da população adulta.

Ovo, leite, amendoim, soja, trigo, castanhas, peixes e crustáceos são os responsáveis por cerca de 90% das alergias. Como não existe cura, a restrição no consumo é a principal alternativa para prevenir o aparecimento das complicações clínicas.

Projeto
Outra iniciativa com objetivo semelhante à norma da Anvisa é um projeto de lei do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) apresentado no ano passado. O texto determina que os rótulos dos alimentos informem a presença de substâncias potencialmente alérgenas.

O PLS 155/2014 está na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), onde receberá decisão final. O relator é Eduardo Amorim (PSC-SE). Valadares argumenta que, apesar de haver a descrição dos ingredientes, as informações nem sempre são completas e frequentemente contêm termos técnicos ou científicos, dificultando o entendimento. Estudos da Unidade de Alergia e Imunologia do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo mostraram que 39,5% das reações alérgicas foram relacionadas a erros na leitura de rótulos. A própria Anvisa identificou que as diferentes formas de rotular alergênicos causam confusão e insegurança.

O senador defende que o aviso no rótulo evita desconfortos ou ocorrências médicas, com custo adicional praticamente nulo para os fabricantes. “Nossa iniciativa, além de ampliar o direito de informação, promove a modernização da legislação brasileira de rotulagem de alimentos, pois propõe medida semelhante àquela adotada nos países da União Europeia, Estados Unidos, Canadá, Japão, Austrália e Nova Zelândia”, justifica no projeto.

0 0 temporarioCompreensão
Os alérgicos confirmam as dificuldades apontadas pelo senador. Decifrar os ingredientes em meio a letras minúsculas, conhecer as diferentes nomenclaturas usadas para identificar um ingrediente e não ter informações básicas sobre a presença de alérgenos (como o uso termos genéricos que não identificam a origem) são alguns dos desafios que eles encontram.

A professora Juliana Póvoa, de 35 anos, é alérgica à alfa-lactoalbumina, uma das proteínas do leite. Ela descobriu já adulta e chegou a ser internada com crises de asma, bronquite e eczema. Para Juliana, falta entendimento das pessoas sobre a seriedade da questão.
— Nós, alérgicos, estamos expostos a diversos riscos, constantemente. Não temos escolha — afirma.

O servidor público Eduardo Xavier, de 39 anos, descobriu que é alérgico a frutos do mar, especialmente camarão, quando tinha 8 anos. Tentou ignorar os sintomas e continuar ingerindo os alimentos, mas a hipersensibilidade avançou.

— Da última vez que comi, fui parar no hospital com edema de glote — conta.

Para a advogada Cecilia Cury, uma das coordenadoras da campanha Põe no Rótulo, informação adequada pode salvar vidas.

— Estamos acompanhando de perto as mudanças em muitos rótulos, o que confirma não só a viabilidade do atendimento à regulamentação, mas, especialmente, o reconhecimento da relevância do tema.

Mais artigos...

  1. Jovens negras da periferia mostram suas expectativas sobre o futuro
  2. Conflitos olímpicos
  3. A 80 dias da abertura, Rio 2016 ainda não empolga
  4. À capela
  5. Conquistas das domésticas nos anos 2000
  6. De vice a presidente, Michel Temer assume por até 180 dias
  7. Governistas e oposição divergem sobre como serão os próximos 180 dias no país
  8. Sede em casa facilita microempreendimento
  9. Índice mede força dos parlamentos na América do Sul
  10. Sigmund Freud: uma vida na psicanálise
  11. Há 190 anos, o Senado ajuda a debelar as grandes crises vividas pelo Brasil
  12. Equipamento analisa vinho sem abrir lacre da garrafa
  13. Senado debate limitação da internet fixa
  14. Corte de frios pode levar a contaminação por bactéria
  15. Rosa despetalada
  16. Após 4 anos de tolerância zero na Lei Seca, motoristas ainda resistem a mudanças
  17. A centralidade da cultura na construção da ‘japonesidade’
  18. Permanecer muito tempo sentado prejudica a longevidade
  19. Sacola plástica é uma das maiores vilãs do meio ambiente
  20. Depressão também atinge populações da Amazônia
  21. Alimentação saudável reduz risco de doenças cardíacas em até 80%
  22. O circo chega às escolas
  23. Infarto também é assunto de mulher
  24. O perigo do remédio sem uso na farmacinha de cada casa
  25. Aquecimento poderá reduzir em 44% a grande circulação das águas do Atlântico
  26. Já em uso no país, audiências de custódia podem virar lei
  27. Estudo da Torá mostra riqueza literária de escritos bíblicos
  28. Chaplin a serviço de Chaplin
  29. 7 de abril – Dia Mundial da Saúde: Um em cada 11 adultos no mundo tem diabetes
  30. Métodos substituem animais vivos nas aulas de veterinária
  31. Relatório revela privatização da educação pública no país
  32. Mobilizados, estudantes querem maior participação nas decisões nacionais
  33. Regimes jurídicos distintos afetam negociação da dívida pública
  34. Em vigor há 18 anos, Código de Trânsito Brasileiro é alvo de propostas de atualização
  35. Amigos e vizinhos estimulam a prática de atividade física
  36. Em meio à crise, microfranquias crescem no Brasil
  37. Veja 3 efeitos imediatos da crise política no Brasil
  38. Projetos miram caixa-preta das tarifas de ônibus
  39. Frutas nativas brasileiras podem ser alternativa de renda
  40. O pêndulo demográfico
  41. Código de Processo Civil entrou em vigor com a promessa de agilizar ações
  42. Promotor da 'Mãos Limpas' elogia Moro e diz temer retaliação
  43. Congresso combate violência obstétrica
  44. Sob a lona, o poder do riso
  45. Projeto de alunos concorre em competição internacional
  46. Oswaldo Cruz, o médico que derrotou o Aedes
  47. Engenheiro define carreira até 3 anos após o primeiro emprego
  48. 58 milhões de devedores estão negativados, indica SPC Brasil
  49. Mulheres lutam por igualdade, mas problemas históricos persistem
  50. Atuações de mulheres no setor de franquias crescem e redes comemoram
  51. Desperdício de comida desafia sociedade moderna
  52. Sífilis avança e deve chegar a quase 42 mil casos entre gestantes neste ano
  53. Quando as emoções entram em pane
  54. Medalha de ouro em Los Angeles, Joaquim Cruz busca sucessor em Brasília
  55. Remédio comum pode salvar da morte vítimas de escorpiões
  56. Voto impresso começa a valer em 2018, mas já é alvo de críticas
  57. PE: mais da metade das famílias de bebês com microcefalia são de baixa renda
  58. Crise de refugiados e violência ameaçaram direitos humanos em 2015
  59. Sistema ajuda portador de deficiência visual a se locomover
  60. Intervenções espirituais e religiosas na saúde são benéficas
  61. Livro resgata ideias econômicas de Roberto Simonsen
  62. Ensino de literaturas africanas precisa de melhorias
  63. Arqueologia na Amazônia elucida mistério de 500 anos
  64. Cérebro induz à escolha de alimentos calóricos para armazenar energia
  65. Obesidade pode interferir na aprendizagem das crianças
  66. Um dia na maior universidade de aviação do mundo
  67. Jornada de refugiados inclui perigos da travessia e desafios da integração
  68. Engraxates ambulantes influenciaram no samba paulistano
  69. Mais tempo para mães de prematuros
  70. Com diferentes estilos e histórias, 355 blocos animam carnaval paulistano
  71. Mesmo com crise, escolas prometem carnaval luxuoso em São Paulo
  72. Perda de emprego leva pessoas para o trabalho informal
  73. Eleição de líderes partidários movimenta retomada dos trabalhos legislativos
  74. Comissões de frente surpreendem por inovações a cada carnaval
  75. Desemprego fecha dezembro em 6,9% e atinge maior taxa para o mês desde 2007
  76. Escolas de samba apostam na especialização para produzir alegorias e adereços
  77. Vegetais: crus ou cozidos?
  78. Ano Novo Chinês: conheça as tradições milenares que marcam a data_a
  79. Travestis comemoram entrada em universidades e esperam diálogo mais saudável
  80. Aída foi a primeira a voar
  81. Aquífero Guarani: estudo analisa as negociações do acordo
  82. Cães reconhecem o significado de expressões emocionais
  83. DOI-Codi sequestra e mata Manoel Fiel e diz que metalúrgico cometeu suicídio
  84. Modernidade traz novos significados aos contos de fadas
  85. Distúrbios na tireoide podem causar ansiedade e depressão
  86. Atletas se destacam pela persistência; relembre momentos das Olimpíadas
  87. Oferta de frutas é similar em regiões ricas e pobres de São Paulo
  88. Pesquisa traça panorama dos acidentes de trânsito no Brasil
  89. Liga acadêmica une teoria e prática em ação para a sociedade
  90. Licença para voar
  91. Economias de aglomeração podem ampliar desigualdade espacial
  92. A supressão da cidadania nas celas
  93. 2015: O ano que o futebol começou a limpar as chuteiras
  94. Crise migratória e atentados terroristas marcam cenário internacional em 2015
  95. Conheça mitos e verdades sobre a osteoporose
  96. Peixe do rio Negro coletado por Alfred Wallace há 160 anos é finalmente descrito
  97. Projeto proíbe revista vexatória de visitante de jovem infrator internado
  98. Pequeno príncipe, grande aviador
  99. Patrimônio histórico nas mãos das Geociências
  100. Mudança no crime organizado ajudou a reduzir homicídios

Rua Vergueiro, 2949, 12º andar – cjto 121/122
04101-300 – Vila Mariana – São Paulo - SP

Contato: (11) 3043-4171