
Mariana Mantovani (*)
Há um fato inegável: o comércio digital democratizou o empreendedorismo. Hoje, qualquer pessoa pode criar uma loja virtual, vender em marketplaces e alcançar consumidores em todo o país. Essa facilidade de entrada trouxe oportunidades inéditas para pequenos e médios negócios, mas também ajudou a consolidar um dos maiores mitos do mercado: a ideia de que vender online é sinônimo de ganhar dinheiro rapidamente.
Basta passar alguns minutos nas redes sociais para encontrar promessas de faturamentos extraordinários, histórias de crescimento meteórico e fórmulas supostamente infalíveis para o sucesso. O problema é que essa narrativa simplifica uma realidade muito mais complexa.
A verdade é que vender é relativamente fácil, mas lucrar de forma consistente é o verdadeiro desafio. Por isso, resolvi reunir e listar abaixo alguns dos principais mitos que ainda cercam o universo dos sellers digitais:
Mito 1: “Se eu vender muito, vou ganhar muito”
O primeiro ponto é entender que faturamento e lucro são coisas completamente diferentes. Muitos empreendedores comemoram o crescimento das vendas sem perceber que suas margens estão cada vez menores. Custos com frete, comissões de marketplace, mídia paga, embalagens, devoluções e operação podem consumir uma parcela significativa da receita.
O resultado é um cenário cada vez mais comum: empresas que vendem mais, trabalham mais e lucram menos. Por isso, o foco não deve estar apenas em vender, mas em construir uma operação financeiramente saudável.
Mito 2: “Basta cadastrar produtos e esperar os pedidos chegarem”
O digital ampliou a concorrência para um nível sem precedentes e ao entrar em um marketplace, o seller não compete apenas com empresas da sua cidade ou região. Ele passa a disputar atenção com milhares de vendedores que oferecem produtos semelhantes. Portanto, ter presença online não garante visibilidade, é preciso investir em boas descrições, imagens de qualidade, reputação, atendimento, precificação estratégica e conhecimento dos algoritmos das plataformas.
Quem acredita que a venda acontece automaticamente costuma descobrir rapidamente que o consumidor sequer encontrou seu produto.
Mito 3: “O preço mais baixo sempre vence”
A guerra de preços é uma das armadilhas mais perigosas do comércio eletrônico. Na tentativa de gerar vendas, muitos sellers reduzem margens até níveis insustentáveis. Em alguns casos, até conseguem aumentar o volume vendido, mas comprometem completamente a rentabilidade do negócio.
Consumidores valorizam preço, mas também observam prazo de entrega, reputação, avaliações, qualidade do atendimento e confiança na marca. Competir exclusivamente por preço quase sempre é uma estratégia de curto prazo.
Mito 4: “Marketplace resolve todos os problemas”
Marketplaces oferecem alcance, tecnologia e acesso a milhões de consumidores. Mas eles não substituem uma boa gestão. Na prática, os marketplaces potencializam negócios bem estruturados e evidenciam fragilidades de operações despreparadas.
Controle de estoque, gestão financeira, logística eficiente e atendimento continuam sendo responsabilidades do seller. Afinal, a plataforma abre portas, mas quem constrói o resultado é o empreendedor.
Mito 5: “Marketing é gasto”
Talvez um dos maiores equívocos do ambiente digital seja dizer que o marketing é só mais um custo. Em um cenário onde milhares de produtos disputam a atenção do consumidor, a visibilidade se tornou um ativo estratégico. Muitos sellers investem tempo escolhendo produtos, negociando fornecedores e organizando estoques, mas negligenciam ações de marketing e posicionamento.
O resultado é simples: produtos excelentes que ninguém encontra. Lembre-se que no digital, não basta existir. É preciso ser visto.
Por fim, noto que há, nesse cenário, o problema da “romantização”, pois o maior risco desses mitos não é apenas criar expectativas irreais. O problema é que eles fazem com que muitos empreendedores entrem no comércio digital sem preparo, sem planejamento financeiro e sem uma visão clara do que realmente sustenta um negócio no longo prazo.
Quando o resultado prometido não aparece, a frustração surge rapidamente. E, muitas vezes, bons empreendedores abandonam oportunidades reais porque acreditam que fracassaram, quando na verdade apenas encontraram a realidade do mercado.
Portanto, não se esqueça que o digital continua sendo um dos ambientes mais promissores para quem deseja empreender. Mas o sucesso online não é fruto de atalhos. É resultado de estratégia, gestão, conhecimento do consumidor e capacidade de execução!
(*) Especialista em Marketplace e E-commerce, e fundadora da Boost Marketplace, empresa especializada em turbinar e impulsionar resultados de vendas nos maiores marketplaces do mercado.
E-commerce: como obter sucesso com a sua loja digital – Jornal Empresas & Negócios




