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Quatro pilares de como implementar uma cultura fiscal nas empresas

em Espaço empresarial
quarta-feira, 03 de setembro de 2025

Auditorias frequentes deixaram de ser medidas emergenciais e se tornaram rotina de inteligência em companhias consolidadas. O resultado é a diminuição de riscos e espaço para novos investimentos

Em meio a um sistema tributário complexo e sujeito a mudanças constantes, empresas consolidadas têm adotado a revisão fiscal não apenas como forma de recuperar valores pagos indevidamente, mas como estratégia de crescimento.

Para a tributarista Maynara Fogaça, referência nacional em auditoria de crédito tributário e CEO da Visão Tributária, revisar impostos significa identificar passivos ocultos, evitar riscos e abrir espaço para novos investimentos. “Muitas vezes, o empresário acha que o problema está nas vendas ou nos custos operacionais, mas não desconfia que o gargalo pode estar nos tributos pagos a mais. A revisão tributária não é uma medida de crise, é uma ferramenta de inteligência que empresas maduras usam para crescer com segurança”, afirma a especialista.

Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), 95% das empresas brasileiras pagam mais impostos do que deveriam, seja por erros de apuração, escolha equivocada do regime ou desconhecimento de benefícios fiscais. Esse cenário reforça a importância das auditorias sistemáticas. “Companhias que crescem com solidez não abrem mão de auditorias frequentes justamente porque entendem que estar em dia com a legislação é pré-requisito para expandir com segurança”, acrescenta Maynara.

Rotina de inteligência – Mais do que corrigir falhas, a revisão tributária vem sendo incorporada às rotinas estratégicas de negócios consolidados. Maynara defende que o processo deve incluir análise contínua de dados, acompanhamento de mudanças legais e integração entre setores financeiros e operacionais. “Existe uma diferença brutal entre pagar imposto e pagar certo. Rever o que foi realizado com profundidade técnica e visão estratégica é uma das decisões mais inteligentes que uma empresa pode tomar hoje”.

Um exemplo citado pela especialista mostra o impacto direto da prática no caixa, uma indústria alimentícia que enfrentava dificuldades financeiras conseguiu recuperar R$ 5,2 milhões em tributos pagos a maior nos últimos cinco anos. O valor não apenas estabilizou as contas como permitiu a retomada de um plano de expansão que estava parado.

Implementação de uma cultura fiscal estratégica – De acordo com Maynara, a criação de uma cultura fiscal passa pela participação da alta gestão, capacitação constante das equipes e uso de tecnologia para cruzamento de informações. A especialista recomenda quatro pilares para empresas que desejam estruturar essa rotina:

  1. Diagnóstico tributário atualizado – avaliar se o regime de tributação está adequado à realidade atual.
  2. Revisão dos últimos cinco anos – identificar pagamentos indevidos e oportunidades de recuperação.
  3. Automação e tecnologia fiscal – integrar ferramentas que auxiliem na validação de dados.
  4. Treinamento contínuo da equipe – manter o time preparado para acompanhar as exigências do Fisco.

Para a tributarista, a mudança de mentalidade é essencial. “O tributo precisa ser tratado como centro de custo estratégico, não apenas como obrigação burocrática. Quando as empresas entendem isso, passam a enxergar a revisão não como gasto, mas como investimento em saúde financeira e em sustentabilidade do crescimento”, finaliza.

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