
Ataques cibernéticos, falhas operacionais e a crescente dependência dos sistemas digitais mostram que o maior patrimônio de uma empresa é sua capacidade de continuar operando diante de qualquer incidente
Eduardo Garcia (*)
Durante muito tempo, falar sobre backup era falar de tecnologia. O assunto ficava restrito aos departamentos de TI, responsáveis por garantir que arquivos e bancos de dados pudessem ser recuperados em caso de falhas.
Hoje, essa visão está ultrapassada.
Em um ambiente cada vez mais digital, o backup deixou de ser apenas uma ferramenta de armazenamento para se tornar um componente essencial da estratégia de continuidade dos negócios. Afinal, quando uma empresa perde o acesso aos seus sistemas, não enfrenta apenas um problema tecnológico. Ela pode deixar de vender, emitir notas fiscais, processar pedidos, atender clientes e, consequentemente, deixar de faturar.
A interrupção das operações afeta diretamente a receita e pode provocar danos financeiros e reputacionais difíceis de reverter.
Os números mostram que essa preocupação faz sentido. O Brasil registrou mais de 33 milhões de tentativas de ataques de ransomware em um único ano, segundo levantamento da SonicWall. Além disso, estudos indicam que uma organização pode permanecer cerca de 22 dias com suas operações comprometidas após um ataque dessa natureza. Para muitas empresas, esse período representa prejuízos que vão muito além da recuperação dos dados.
Verdadeiro risco
Quando falamos sobre backup, existe o equívoco comum de imaginar que seu objetivo principal é evitar a perda de documentos.
Na realidade, o maior risco para uma organização é perder sua capacidade de operar.
E, quando uma empresa deixa de operar, ela também deixa de gerar receita. Em muitos setores, poucas horas de indisponibilidade são suficientes para comprometer metas comerciais, atrasar faturamentos e afetar o fluxo de caixa.
É justamente por isso que a pergunta mais importante deixou de ser “temos backup?” e passou a ser “conseguimos retomar nossa operação rapidamente caso ocorra um incidente?”.
Sincronização e backup
Outro ponto que merece atenção é a falsa sensação de segurança criada por ferramentas amplamente utilizadas no ambiente corporativo.
Serviços como Microsoft 365, OneDrive e Google Workspace são excelentes para sincronização, colaboração e compartilhamento de arquivos. Mas sincronizar informações não significa protegê-las.
Quando um arquivo é apagado acidentalmente, corrompido ou criptografado por um ransomware, essa alteração pode ser replicada automaticamente para todos os dispositivos sincronizados. Sem uma estratégia adequada de backup, recuperar essas informações pode ser extremamente difícil ou até impossível.
Essa distinção ainda é pouco compreendida por muitas empresas e representa uma vulnerabilidade importante.
Continuidade do negócio
Os ataques cibernéticos recebem grande atenção, mas eles estão longe de ser a única ameaça. Erros humanos, falhas de hardware, problemas durante migrações de sistemas, desastres naturais e interrupções de infraestrutura também podem comprometer informações críticas.
Por isso, especialistas recomendam estratégias como a regra 3-2-1, que prevê a manutenção de três cópias dos dados, armazenadas em dois tipos diferentes de mídia, sendo uma delas fora do ambiente principal da empresa. O objetivo é garantir que sempre exista uma alternativa para recuperar as operações.
Da mesma forma, realizar testes periódicos de restauração é tão importante quanto fazer o backup. Afinal, uma cópia que nunca foi validada pode não funcionar justamente quando for mais necessária.
Investimento em resiliência
O avanço da computação em nuvem, da inteligência artificial e da digitalização dos processos continuará aumentando a dependência das empresas em relação aos seus dados. Nesse cenário, a capacidade de recuperação passa a ser tão importante quanto a capacidade de prevenção.
Além da proteção contra incidentes, políticas consistentes de backup ajudam as organizações a atender requisitos de governança, conformidade regulatória e proteção de dados previstos em legislações como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Cada vez mais empresas compreendem que o backup não deve ser tratado como custo operacional, mas como investimento em resiliência. Afinal, proteger os dados significa preservar a capacidade de manter a operação e o faturamento, mesmo diante de ataques cibernéticos, falhas técnicas ou outros incidentes.
No fim das contas, backup não protege apenas informações. Protege a capacidade de a empresa continuar operando, atendendo clientes e gerando receita.
(*) Eduardo Garcia é fundador e diretor de Novos Negócios da Net Turbo Telecom.

