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Infra de TI na era da IA: o que empresas em crescimento precisam observar

em Espaço empresarial
quarta-feira, 08 de julho de 2026

Daniel Fernandes (*)

O ano de 2026 impõe uma encruzilhada complexa para as lideranças corporativas. De um lado, a pressão pela eficiência sob os impactos da transição da Reforma Tributária e as incertezas naturais de um ano eleitoral. Do outro, a urgência inegociável de acelerar a adoção da Inteligência Artificial (IA) nas operações.

Diante desse cenário, o instinto mais primitivo de conselhos e diretores financeiros é congelar investimentos em tecnologia para preservar o caixa. No entanto, na corrida digital, a paralisia gera uma dívida técnica silenciosa que nenhum ajuste fiscal futuro será capaz de compensar.

A verdadeira pergunta que as empresas em crescimento devem fazer não é se o cenário macroeconômico está instável, mas se a sua infraestrutura de TI está pronta para sustentar a inovação sem estourar o orçamento. O maior erro atual é acreditar que a IA é um software mágico que resolve tudo sozinho. A ferramenta só gera produtividade real se a base de hardware estiver sólida, visível e bem dimensionada.

Muitas organizações hesitam em investir por medo de escolher as ferramentas erradas. Para destravar essa barreira, o primeiro passo é entender onde a IA da sua empresa vai rodar, dividindo a estratégia em duas frentes claras:

• IA Local (Edge AI): Para equipes que trabalham com engenharia, criação de mídia ou manipulação de dados sensíveis via LLMs (Grandes Modelos de Linguagem) privados. Aqui, o hardware é infraestrutura crítica. Equipamentos com processadores de capacidade neural embarcada, como as linhas Apple M-Series e AMD Ryzen™ AI, deixaram de ser luxo e viraram diferencial competitivo.

• IA na Nuvem: Para times focados em ferramentas de produtividade cotidiana (como Copilot e ChatGPT). Nesse caso, o gargalo não é a potência bruta do processador, mas sim a latência e a estabilidade da conexão. O foco deve ser o equilíbrio entre custo e eficiência operacional da máquina.

Ao tentar estruturar essa base tecnológica, as empresas em expansão esbarram em duas barreiras simultâneas: uma externa e outra interna.

No cenário global, o mercado de hardware enfrenta forte instabilidade no fornecimento de componentes essenciais, como memórias DDR5, o que inflaciona os preços e atrasa entregas. Já no ambiente interno, as empresas sofrem com o “apagão de dados” no próprio inventário. A falta de visibilidade sobre quais ativos estão ativos, obsoletos ou perdidos gera prejuízos logísticos severos.

É exatamente na intersecção entre a necessidade de inovação e a urgência por eficiência que a governança de TI se torna o maior divisor de águas estratégico.

Para que a instabilidade externa não se transforme em paralisia operacional, o modelo tradicional de compra de equipamentos precisa ser questionado. A previsibilidade que as empresas buscam hoje não está na posse do ativo, mas no acesso inteligente a ele.

É aqui que o conceito de HaaS (Hardware as a Service) ganha contornos de estratégia financeira. Ao transformar a aquisição de computadores em um serviço de ponta a ponta, as companhias ganham flexibilidade para moldar seus contratos de acordo com o momento do negócio: seja via Opex, preservando a liquidez imediata, ou Capex, protegendo o Ebitda (Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização). Além disso, o modelo funciona como um escudo contra a depreciação acelerada de equipamentos na era da IA ajudando a mitigar as incertezas de créditos da nova Reforma Tributária.

Garantir que os times tenham as ferramentas certas e suporte especializado para processar a realidade de 2026, não é um projeto para o próximo trimestre; é o que define quem vai liderar o mercado nos próximos anos.

Mitigar riscos macroeconômicos não significa parar no tempo. Significa adotar modelos ágeis que deem a previsibilidade que o ecossistema tradicional de TI não consegue mais entregar. A IA está pronta para transformar os negócios, desde que a sua infraestrutura permita.

(*) CRO da Plugify.

Base da transformação digital nas empresas está na infraestrutura de TI – Jornal Empresas & Negócios